Portugal

AR: Passos rejeita em absoluto nebulosa entre PSD, secretas e privados

O primeiro-ministro rejeitou hoje, em absoluto, a existência de um suposta «nebulosa» num triângulo que envolve as secretas, o PSD e interesses privados e negou que tenha ordenado qualquer investigação ao ex-presidente da TVI Bernardo Bairrão.

Na resposta à intervenção do secretário-geral do PS, o primeiro-ministro negou a existência desse suposto triângulo.

«Não há nebulosa nenhuma. O PSD não tem nada que ver com interesses privados, nem com serviços secretos. Não junte as vagas suspeitas que andam por aí no diz que disse, não as legitime invocando-as aqui em sede parlamentar, porque não há nebulosa nenhuma», declarou Pedro Passos Coelho, dirigindo-se a António José Seguro e recebendo palmas das bancadas social-democrata e do CDS.

Depois, Passos Coelho desafiou o secretário-geral do PS a revelar algum dado que conheça sobre esta matéria: «Diga se fizer favor, para quem de direito possa atuar».

Já sobre a questão relacionada com o afastamento do ex-presidente da TVI Bernardo Bairrão do atual Governo, Pedro Passos Coelho negou ter requerido uma investigação sobre ele.

«Tinha acabado de tomar posse, ia dar posse aos senhores secretários de Estado e não conhecia sequer o senhor secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira. Mesmo que o conhecesse, não havia qualquer interesse em pedir aos serviços de informação uma indicação que sei que eles não podem produzir», reagiu.

Pedro Passos Coelho referiu que parte dos acontecimentos políticos envolvendo o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Silva Carvalho passaram-se em 2010 e disse que, na sequência de notícias sobre o acesso ilegítimo ao telefone do jornalista Nuno Simas, "este Governo abriu um inquérito para proceder à averiguação desse acontecimento".

«Não quero implicar nem o secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, nem o primeiro-ministro à altura dos factos, José Sócrates. Quero apenas dizer que considero que não devemos tomar a nuvem por juno e que não podemos contaminar nem o Governo de então, nem o secretário-geral do SIRP, por irregularidades que tenham sido cometidas, mesmo que por um ex-diretor do SIED», declarou o chefe do executivo.

Sobre os relatórios feitos a jornalistas e a personalidades, como ao presidente do Grupo Impresa, Pinto Balsemão, Passos Coelho frisou que esses relatório não foram elaborados pelos serviços de informação e apelou a António José Seguro «que coloque a informação correta no local adequado».

«No âmbito do processo penal, ficou provado que houve desvios de poder e desvios de funções que não implicaram a produção desses relatórios. Esses relatórios foram efetuados por gente que não tem que ver com os serviços de informação», disse.

No entanto, o primeiro-ministro referiu-se a uma «guerra empresarial» e manifestou a sua preocupação por haver «gente que se dedica a violar a Constituição e os direitos dos cidadãos».

«Mas isso nada tem que ver com os serviços de informação», reiterou.

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