Grécia

É dificil ultrapassar as dificuldades quando "alguém não quer ser ajudado e não se quer ajudar a si próprio"

Sem referência direta à Grécia, Pedro Passos Coelho entende que Atenas está num caminho oposto e sublinha que a Europa está "cheia de exemplos" de países que pediram ajuda e ultrapassaram problemas à custa de reformas estruturais e medidas de austeridade.

"Por mais que queiramos ajudar alguém, é muito difícil ultrapassar as dificuldades quando esse alguém não quer ser ajudado e não se quer ajudar a si próprio. Mas nós cheios de exemplos, dentro da Europa, de povos, de nações, que pediram ajuda, mas que souberam também fazer tudo o que estava ao seu alcance para ultrapassar os seus problemas", afirma Pedro Passos Coelho.

Num discurso durante o aniversário da JSD, em Portimão, o líder social-democrata nunca se referiu, de forma direta, à Grécia, mas deixou alguns recados ao governo de Alexis Tsipras, dando o exemplo de Portugal, Irlanda ou Espanha como países que conseguiram "ultrapassar a crise" através da aplicação de reformas estruturais e medidas de austeridade.

"Muito do que se passou na Europa, passou-se assim porque aqui, como na Irlanda e em Espanha se fez o que era preciso. A Europa hoje está mais forte porque nós soubemos o caminho que devíamos percorrer. E é importante mostrar a todos aqueles que ainda não estão convencidos disso, cá dentro e lá fora, que, tal como não foi um acaso chegarmos onde chegámos, também não é um acaso escolhermos os próximos anos para continuar este caminho", disse.

Em véspera do referendo e numa altura em que se assiste a um braço-de-ferro entre a Grécia e os credores internacionais, Pedro Passos Coelho deixou ainda uma palavra de agradecimento aos parceiros europeus: "Sabemos bem, por experiência própria, os erros que a classe política e dirigente empresarial e social em Portugal cometeu, sabemos também avaliar de forma muito preciosa a maneira como, quando precisámos, os nossos parceiros europeus nos ajudaram a ultrapassar essa situação difícil".

Passos Coelho considerou ainda que a Europa tem legitimidade para intervir nos destinos dos povos: "É importante que ninguém seja castigado para todo o sempre por qualquer erro que tenha cometido no passado, em seu nome ou diretamente. E, por isso, a Europa tem também um papel importante, podendo intervir chamando a atenção dos governos para as reformas que precisam de ter mais ambição".

  COMENTÁRIOS