Europeias 2014

Europeias: Paulo Portas pede voto do centro-esquerda

O vice-primeiro-ministro apelou ontem à noite, em Lamego, ao eleitorado de centro esquerda para analisar bem a situação e defendeu que os portugueses não têm garantias que o PS tenha aprendido com os «próprios erros».

O Governo está de consciência tranquila, diz o vice-primeiro-ministro, e não há nada a temer nestas eleições europeias. Paulo Portas, numa iniciativa de campanha da Aliança Portugal, em Lamego, pediu que a coligação lute de cabeça erguida e que o eleitorado do centro-esquerda olhe para o trabalho feito pela direita, sem preconceitos.

«Quero dirigir-me àqueles que, muitas vezes, estão na zona política onde se encontra o PSD e o CDS e a zona política onde se encontra o PS. Há muito mais gente que tem dúvidas e que procura respostas do que alguns pensam. E não pensem que são apenas pessoas que tradicionalmente estão no centro-direita que podem ter alguma dúvida, são também pessoas que tradicionalmente estão no centro-esquerda e que não têm garantia nenhuma que o PS tenha aprendido com os seus próprios erros», afirmou.

Paulo Portas disse ainda que tem consciência da dificuldade do combate, mas sublinhou que «estamos finalmente em condições de poder falar aos funcionários públicos para recuperar progressivamente os seus rendimentos, aos reformados para recuperar substancialmente a sua pensão, fazer o debate do salário mínimo nacional e da política de rendimentos», afirmou na primeira noite do período oficial de campanha.

Portas apelou ainda à elevação e à serenidade porque diz que estas eleições europeias têm uma «importância maior do que se pensa», num discurso de mobilização para o voto e de enaltecimento do momento de recuperação em que situa o país.

«Eu percebo, todos nós percebemos, as dúvidas, as desilusões, as incompreensões, mas há um valor que nos une a todos, que é o bem comum de todos, que é Portugal. Se a nossa gente ficar em casa, serão recompensados aqueles que criaram o problema e trouxeram a troika e será penalizado quem teve o doloroso e muito difícil encargo de procurar a solução e mandar a troika de volta para os seus países, o PSD e o CDS», argumentou.

Portas insistiu que os últimos três anos não podem ser avaliados como um período «de normalidade», mas sim como «três anos de exceção», um regime de excecionalidade que deve o seu fim ao «esforço notável dos portugueses».

Antes de Paulo Portas, discursou Fernando Ruas. O antigo autarca de Viseu e ex-presidente da Associação Nacional de Municípios, é o número 2 da lista da coligação. Ruas disse que em Bruxelas não fazem falta apenas intelectuais, no Parlamento Europeu também faz falta quem saiba distinguir entre um carvalho e uma cerejeira.

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