Assembleia República

Nacionalização do BPN não vai prejudicar contribuintes, diz Sócrates

O primeiro-ministro garantiu, durante o debate quinzenal desta quarta-feira, que o Governo não está arrependido de ter nacionalizado o Banco Português de Negócios (BPN), frisando que os contribuintes não vão ser prejudicados com os custos dessa medida. No entanto, a oposição não se mostrou convencida.

No debate quinzenal, dedicado à economia, José Sócrates garantiu que o Governo não está arrependido de ter avançado para a nacionalização do BPN, defendendo que não fazer nada em relação à situação daquele banco seria muito pior para os contribuintes.

«Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para valorizar os activos do BPN e para diminuir os encargos para os contribuintes portugueses, que serão muito menores do que aqueles que seriam se não tivesse sido feito nada», disse, numa altura em que o Governo ainda analisa um relatório sobre o BPN.

Em resposta às dúvidas do bloquista Francisco Louçã, o Chefe do Governo disse que a salvação do BPN será paga primeiro pelo dinheiro dos accionistas daquele banco, lembrando que o BPN tem um capital próprio de 400 milhões de euros.

Por seu lado, o democrata-cristão Paulo Portas interpelou o primeiro-ministro sobre até onde o Governo está disposto a ir em relação ao Banco Privado Português (BPP), considerando que não há nenhuma razão para o que o Estado ajude «directa ou indirectamente» a cobrir «aplicações individuais».

«A intervenção do Estado no BPP é para defender os depósitos nesse banco» e não para defender nenhum «sistema de gestão de fortunas», respondeu o primeiro-ministro socialista.

Já o comunista Jerónimo de Sousa fez um paralelo entre a ajuda que o Governo tem dado aos bancos e a falta de apoios que existe em relação a outras empresas. Na sua intervenção, Sócrates respondeu que a intervenção do Estado já ajudou 12 mil empresas.

Quando questionado por  Heloísa Apolónia, do Partido Os Verdes, sobre se a moção que vai apresentar define o que considera ser uma pessoa rica, Sócrates respondeu que ainda não está na fase de apresentar uma proposta concreta.

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