Assembleia República

Parlamento ficaria com 9 partidos se as eleições europeias fossem legislativas

A TSF aplicou os resultados das europeias às eleições legislativas. O Parlamento ficaria com um número recorde de partidos e não seria fácil encontrar maiorias para governar.

Se os resultados das europeias se repetissem numas eleições legislativas, Portugal passaria a ter 9 partidos com lugar no Parlamento.

Esta é uma das conclusões das contas feitas pela TSF usando os votos de domingo na divisão dos deputados em São Bento com base no método que faz a conversão, por distrito, dos votos em mandatos.

Os números mostram um Parlamento fragmentado, como nunca se viu na democracia portuguesa, em que para além das habituais forças políticas e do MPT, também o Livre e o Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) conseguiriam eleger deputados.

Fazendo as contas, o MPT de Marinho Pinto pode chegar a um grupo parlamentar com 15 deputados se repetir nas legislativas os resultados das europeias. Outra estreia no hemiciclo seria o Livre com dois deputados e o PAN com um representante eleito.

Estes três partidos iriam encontrar os seis que há vários anos monopolizam a representação no parlamento: PS, PSD, CDS, PCP, BE e Verdes.

Carlos Jalali recorda que 8 ou 9 partidos no parlamento é algo que nunca se viu no parlamento português desde o início da democracia. O professor de Ciência Política na Universidade de Aveiro admite que «europeias não são legislativas e em média os grandes partidos recuperam 6 pontos percentuais nas segundas», mas mesmo assim é muito difícil detetar nestes cálculos quais serão os cenários de governação depois das legislativas de 2015.

As contas feitas pela TSF revelam que se tivesse os resultados de domingo numas legislativas, o PS teria pouco mais de 90 dos 230 deputados, enquanto que a coligação PSD/CDS ficaria por pouco mais de 80. À esquerda, o PCP quase duplicava o grupo parlamentar, aproximando-se dos 30 deputados, enquanto que o Bloco ficaria pelos 6.

Carlos Jalali admite que as eleições de domingo e esta fragmentação de partidos deixam a grande incógnita de saber quem governa depois de 2015, restando duas hipóteses: «uma coligação PS-PCP (que tem sido impossível) ou um Bloco Central entre PS e PSD com pouco mais de metade dos votos».

O professor de Ciência Política recorda que a fragmentação de partidos no parlamento já existiu no passado, na década de 70, deixando marcas com uma sucessão de governos que caíram antes do fim da legislatura. Jalali acredita, contudo, que os resultados das europeias mostram que o sistema partidário está mais permeável ao surgimento de pequenos partidos que atraem cada vez mais os eleitores.

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