Congresso PS

Seguro propõe mais ética e transparência para o PS

No discurso de encerramento do XVIII Congresso do PS, em Braga, António José Seguro propôs um código de conduta para o partido e prometeu honrar os compromissos assumidos com a Europa.

Foi o discurso mais federalista ouvido nos últimos anos a um sceretário-geral do PS. António José Seguro já escreveu aos socialistas europeus em defesa «de uma agência de rating autónoma, de um orçamento reforçado, de eurobonds para suportar a emissão conjunta de dívida pública, mas também para financiar investimentos estruturantes no seio da própria Europa».

«Ou a Europa decide ou morre. Uma decisão que deverá ser precedida de um debate onde o Federalismo deverá ser colocado em cima da mesa sem medos e sem tabús», acrescentou.

No discurso de encerramento do XVIII Congresso do PS, Seguro avisou que o seu partido vai ser oposição «firme, responsável e construtiva», vai cumprir o acordo com a "troika" e vai analisar medida a medida as restantes propostas, e caso a caso as privatizações.

Para tentar evitar o aumento do IVA, o secretário-geral do PS retomou a proposta de um imposto extra sobre grande empresas e acrescentou hoje um novo regime para os subsídios à produção de electricidade através de co-geração.

«Bastariam duas alterações para que os consumidores poupassem por ano 130 milhões de euros. É verdade, deixariam de ser subsidiadas duas das maiores empresas portuguesas mas ganhariam todos os consumidores, o país, e, em particular, as pessoas mais necessitadas», defendeu.

Seguro disse que as prioridades do PS vão passar pelo emprego, crescimento económico e combate à corrupção, e deixou uma garantia: «Não apresentarei nenhuma proposta que não possa executar quando for primeiro-ministro de Portugal».

Para consumo interno, António José Seguro propôs um código de ética.

«Começa já com todos os membros do secretariado nacional do PS que assinarão, tal como eu, um compromisso de honra de que respeitarão esse código de ética. O mesmo acontecerá com todos os candidatos do PS às futuras eleições autárquicas, europeias e legislativas», anunciou.

No final do discurso, o novo secretário-geral do PS assumiu erros do passado, frisando que «o PS reconheceu a mensagem que lhe foi dada no dia 5 de Junho», e eventuais erros no futuro, «não quer dizer que não cairemos, que não cometerei erros, mas vamo-nos levar e sempre de cabeça erguida porque sabemos qual é o caminho».

António José Seguro deixou um apelo à convergência dos que partilham os valores da esquerda democrática e terminou ao jeito de Sócrates: «Sentem o mesmo que eu? Têm o mesmo sonho? Venham daí! É por estas causas que quero ser primeiro-ministro», declarou Seguro, sob os aplausos dos socialistas, incluíndo António Costa e Francisco Assis.

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