Banca

Situação do BPN serviu de lição para o Banco de Portugal, diz Constâncio

O governador do Banco de Portugal reconheceu, esta segunda-feira, que o caso do Banco Português de Negócios (BPN) serviu de lição para a entidade supervisora e reconheceu alguma ingenuidade.

«Não foi tudo perfeito» na gestão da situação no BPN, pelo que o Banco de Portugal tirou uma «enorme lição» do que se passou, afirmou Vítor Constâncio, garantindo, no entanto,que «foi tudo feito na direcção certa».

O responsável do banco central admitiu ingenuidade neste caso, afirmando que nada fazia suspeitar das intenções e dos actos de Oliveira e Costa, antigo responsável do banco.

«Não suspeitando que havia gente capaz de fazer as fraudes cometidas», o Banco de Portugal foi funcionando para obrigar o BPN a corrigir irregularidades e não crimes, tendo em conta que
«até Janeiro de 2008» nada indiciava isso.

O governador do Banco de Portugal afirmou ainda se as cartas que recebeu da Procuradoria-Geral da Republica, a pedir informação sobre o Banco Insular (BI), «tivessem dito um pouco mais, hoje as coisas podiam ser diferentes».
 
«As cartas de 2004 e 2007 da PGR não mencionavam qualquer relacionamento (do BI) com o BPN, se nos tivessem informado mais sobre o que aparentemente sabiam teria sido diferente» afirmou.
 
Vítor Constâncio afirmou que foram realizadas «duas perguntas com três anos de intervalo», em 2004 e 2007, sobre a existência de operações activas do Banco Insular e permissão para actuar em Portugal, reiterando que «ninguém pode fazer perguntas sobre aquilo que não sabe que existe», referindo-se à actividade de supervisão.
   
Constâncio respondia a perguntas do deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda, na comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN, que acusou o Banco de Portugal de ter sido negligente neste caso.

Entretanto, numa altura em que a audição já levava oito horas, Vítor Constâncio mostrou sinais de cansaço, apesar da insistência dos deputados em continuar a fazer perguntas.

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