Saúde

Mortalidade em Portugal cresceu nas últimas 3 semanas

Mortalidade com números acima do esperado. Gripe e frio extremo podem ser as causas deste aumento, mas ainda não há certezas.

Há três semanas que há mais pessoas a morrer em Portugal do que seria esperado para esta época do ano tendo em conta a mortalidade média dos anos anteriores.

Este excesso de mortalidade pode ter como culpados o frio e uma epidemia de gripe, mas ainda não há certezas.

Os dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), consultados pela TSF, revelam que desde 2008-2009, quando se registou a última grande epidemia de gripe conjugada com frio intenso, que não existia tanta mortalidade no país.

Na última semana para a qual existem dados disponíveis, de 13 a 19 de Fevereiro, a mortalidade subiu ainda mais do que nas duas semanas anteriores quando o INSA já dizia que a mortalidade semanal estava com valores «acima do esperado».

Pela terceira semana consecutiva o Sistema de Vigilância Diária da Mortalidade repete a afirmação, mas desta vez acrescenta que esta mortalidade se observa sobretudo entre quem tem mais de 65 anos.

O gráfico da mortalidade revela que na última semana morreram perto de 3.000 pessoas, ou seja, bastante mais do que o esperado para esta altura do ano.

À TSF, Baltazar Nunes, especialista em estatística do departamento de epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde, confirma que passamos por um aumento "consistente" da mortalidade que se repete há mais de uma semana. A última vez que isso tinha acontecido foi na transição de 2008 para 2009 devido a um aumento da actividade gripal.

O especialista sublinha que não é a primeira vez que estes picos de mortalidade acontecem e acrescenta que estas mortes ocorreram sobretudo nos idosos: «cerca de 90% destes aumentos de mortalidade estão concentrados nos indivíduos com 65 e mais anos».

É muito possível que a mortalidade em excesso destas últimas três semanas esteja relacionada com o frio extremo e com a epidemia de gripe, mas é cedo para ter certezas. Os especialistas do Instituto Nacional de Saúde precisam de tempo para estudar as causas destas mortes e garantir a existência dessa relação causa-efeito.

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