Militares

Chefes de Estado-Maior prometem lealdade ao Governo

O Conselho de Chefes de Estado-Maior garantiu ontem lealdade perante o Governo na reforma das Forças Armadas e comprometeu-se a defender a «serenidade, a coesão e a disciplina» no setor.

Três dias depois dias jantares-debate que reuniram generais e almirantes na reserva e outras dezenas de oficiais, o topo da hierarquia militar promete, em comunicado, defender «serenidade, a coesão e a disciplina».

No documento, o Conselho de Chefes de Estado-Maior (CCEM) sublinha que os chefes militares comprometem-se a continuar «com lealdade e frontalidade, perante a tutela política e os seus subordinados, os trabalhos de adequação das estruturas e das capacidades das Forças Armadas à realidade do ambiente estratégico prevalecente e previsível, tendo sempre presentes o moral das pessoas e a indispensável garantia de prontidão das Forças Armadas».

A nota assinala que os quatro chefes militares, «de forma responsável e solidária, continuarão a pugnar para que as Forças Armadas mantenham a serenidade, a coesão e a disciplina, condições essenciais ao seu funcionamento».

O comunicado reforça que os chefes militares «têm desenvolvido e apresentado, no quadro das orientações políticas emanadas, os trabalhos para a transformação coerente das Forças Armadas, preservando os valores e os princípios incontornáveis da organização militar, designadamente no quadro do Ciclo de Planeamento Estratégico de Defesa Nacional, em curso».

O CCEM reitera a confiança nos militares e na «sua atitude de dedicação e rigor no cumprimento, com qualidade e segurança, das missões atribuídas às Forças Armadas».

O Conselho integra o chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, o chefe de Estado-Maior da Armada, o chefe de Estado-Maior da Força Aérea e o chefe de Estado Maior do Exército.

O comunicado do Conselho de Chefes de Estado-Maior foi divulgado no dia em que a Associação de Oficiais das Forças Armadas advertiu que «as tensões sociais poderão culminar em justos protestos» e que, «no que de si depender», os militares não serão «um instrumento de repressão sobre os concidadãos».

Na sexta-feira, o general Loureiro dos Santos manifestou, em representação de oficiais-generais e superiores na reserva e na reforma dos três ramos militares, reunidos num jantar em Lisboa, «profunda preocupação» com o futuro das Forças Armadas, declarando temer a sua «desarticulação».

O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, anunciou recentemente um corte superior a 200 milhões de euros nas Forças Armadas, a partir de 2014, podendo ser reduzidos 40 milhões em 2013. Aguiar-Branco adiantou que o Governo tem a intenção de reduzir o número de efetivos de 38 mil para 30 mil até 2020.

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