Segurança

"Polícias à porta de Ricardo Salgado vão prejudicar patrulhas em Cascais"

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia estranhou a decisão de prender o antigo líder do BES em casa com vigilância policial. Há muito tempo que não existia um caso semelhante. Patrulha à porta de Salgado vai ocupar, no mínimo, quatro polícias por dia.

Foi com estranheza que a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) recebeu a notícia de que Ricardo Salgado vai ficar em prisão domiciliária com vigilância policial. Há vários anos que a norma é que esta vigilância seja feita através de pulseira eletrónica, nomeadamente para poupar dinheiro ao Estado.

Em declarações à TSF, o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, diz que há muitos anos que não existia uma decisão idêntica: "a última de que me lembro envolveu Vale e Azevedo", há mais de uma década. O representante sindical admite que podem ter existido mais casos nos últimos anos, mas sublinha que "raramente a PSP tem sido chamada a este tipo de vigilâncias".

Na melhor das hipóteses, a ASPP explica que, por turnos, a detenção domiciliária de Ricardo Salgado vai ocupar quatro polícias por dia. Efetivos que, "para acompanhar uma pessoa com uma medida de coação", vão ser "desviados da esquadra ou do patrulhamento que se faz para a segurança dos cidadãos".

Paulo Rodrigues refere que, na prática, vamos "ter polícias que vão vigiar a casa de Ricardo Salgado em detrimento da segurança que deveriam estar a fazer aos cidadãos da zona, numa altura em que há falta de pessoal".

Para a ASPP, "qualquer outra solução seria sempre melhor", pois esta "vai dificultar muito a gestão de recursos humanos naquela esquadra, prejudicando os cidadãos".

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