Sociedade

Morcegos para substituir pesticidas

A administração do Parque Natural Regional do Vale do Tua pretende que os morcegos tenham um lugar seguro e que a partir daí ataquem as pragas do olival, da vinha ou dos sobreiros.

É este o objetivo final do recém-criado Parque Natural Regional do Vale do Tua, nos distritos de Vila Real e Bragança. O Parque está a colocar abrigos para estes mamíferos noturnos em diversas propriedades agrícolas.

Pode não parecer mas um pequeno morcego alimenta-se muito bem e de pragas que prejudicam as culturas diz Vanessa Mata, bióloga do CIBIO, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.

"Comem milhares de insetos por noite, ou seja, potencialmente são um animal que consegue ser um bom regulador de pragas e muitas destas que encontramos na vinha, no olival ou sobreiral são borboletas noturnas. Isso significa que, durante a noite, elas voam e durante a noite nós não temos aves a alimentarem-se mas temos morcegos que conseguem comer uma quantidade elevada destas pragas".

A universidade do Porto é uma das parceiras deste projeto. Vanessa Mata acrescenta que ao colocar estes abrigos, nas propriedades, os predadores noturnos vão ficar mais perto das indesejáveis pragas. "Muitas vezes eles ocupam árvores velhas, cavidades nas árvores, construções antigas que não estejam ocupadas. Nas vinhas ou no olival, muitas vezes, não temos essas estruturas onde os morcegos se consigam abrigar. Colocando um poste com as caixas estamos a fornecer-lhes isso que lhes falta".

São 20 por cada um dos cinco municípios que integram o Parque Natural do Tua, 100 no total. Dois foram colocados na propriedade de António Pires de Noura, Murça. Está com expectativas altas em relação ao projeto. "Porque acho que nós e cada vez mais havíamos de acabar com os pesticidas e inseticidas que só destroem estes bichinhos todos que fazem falta. Na minha aldeia, nas noites de verão havia muitos morcegos e hoje não se encontra quase nenhum, quer dizer, a falta de alimento tem feito com que vão desaparecendo e acho muito importante que comecem a povoar aqui os nossos campos e a floresta também".

Por outro lado, António Caravelas de Frechas, Mirandela terá que ver efeitos práticos para acreditar que os morcegos poderão substituir a maioria dos pesticidas que hoje utiliza nas vinhas. " Fiquei um bocadinho surpreendido mas se for por uma causa justa vamos lá ver se isso aprova.

O projeto tem a duração de três anos e um investimento de cerca de 200 mil euros. Os abrigos e os morcegos serão controlados periodicamente e se os resultados forem positivos, este projeto inovador há-de ser replicado, diz Artur Cascarejo, diretor do Parque Natural do Tua.

"De três em três meses vamos fazer análises acerca da povoação, da forma como os morcegos se movimentam dentro das caixas e verificar se o resultado, do ponto de vista científico, nós julgamos vir a obter, se obtém efetivamente. Se se obtiver, o nosso objetivo é fazer deste um caso de estudo e vir a replicá-lo não só na nossa região como em outras regiões".

Agora é esperar para ver.

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