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É branco mas é cor de rosa e não é rosé. Já conhece o 'pinking'?

A partir desta sexta-feira há uma nova categoria de vinhos única no mundo. É o resultado de uma investigação portuguesa desenvolvida na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Durante anos foi visto como um defeito. A partir desta sexta-feira é reconhecido como característica própria de uma categoria de vinho - o pinking. "É uma situação em que os vinhos brancos apresentam uma cor rosa salmão e que era uma problemática que já temos desde o ano 2000", explica a enóloga Jenny Silva.

O nome vem da cor mas não pode ser confundido com o rosé, feito a partir de uvas tintas ou de uma mistura de uvas brancas com uvas tintas. Neste caso, o vinho é exclusivamente de uvas brancas.

O fenómeno intrigava investigadores e produtores e Jenny Silva estava à procura de um tema para a tese de mestrado que estava a fazer na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). A enóloga, que já trabalhava na Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo, decidiu partir para a investigação para descobrir o que levava a que o vinho tivesse essa cor atípica. E os resultados foram surpreendentes.

Em 2014, Jenny Silva descobriu que o que era visto como um defeito, podia afinal ser uma virtude. A investigação determinou que o pinking é um processo natural que acontece nos vinhos de uvas brancas e que está relacionado com as condições climáticas, "nomeadamente com a temperatura média registada nos dez primeiros dias do mês de outubro, que é o período coincidente com o final do processo de maturação das uvas brancas nesta região da Beira Interior".

Nascia assim uma nova categoria de vinho, que veio também resolver um problema. Antes desta descoberta, o vinho tinha de ser tratado e submetido a um processo de estabilização que implicava custos muito elevados. A Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo adquiriu a patente à UTAD e lança esta sexta-feira o pinking.

"Não estamos a falar de um paladar diferente", adianta a enóloga, "é um branco, feito 100% de uvas brancas. Neste caso, escolhemos a casta síria, que é a rainha aqui da região. É muito fresco, bastante aromático e exuberante no nariz e tem essa cor, rosa salmão".

A cor dá o nome ao vinho (pinking vem de pink, em português, "cor de rosa"), mas não é a única característica que o torna especial. "Poderá não haver condições para o produzir todos os anos; estamos dependentes das condições climáticas", explica Jenny Silva, "é como se fosse um vintage. Podemos compará-lo ao vinho do Porto - nem todos os anos são vintage".

A descoberta está a chamar a atenção de outros produtores a nível internacional e entretanto a Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo está a preparar outras novidades - no próximo ano deve ser apresentado o espumante pinking.

Esta investigação portuguesa já foi publicada na revista científica internacional Journal of Agricultural and Food Chemistry e estão em curso os pedidos de patente nacional e internacional.

O lançamento do vinho pinking está marcado para as 17h00, na Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo.

Para além dos brancos, dos tintos e dos rosés, a partir desta sexta-feira há também os pinking. Uma categoria com selo nacional.

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