Sociedade

Os caloiros que destronaram Medicina

Garantem que não são mais inteligentes do que os outros no curso. Um retrato dos alunos de Engenharia Aeroespacial, o curso com a média de entrada mais alta do país, no final do primeiro ano.

Para entrar em Engenharia Aeroespacial, no Instituto Superior Técnico - o único estabelecimento de ensino superior que dispõe deste curso no país - os alunos precisaram ter como nota mínima 18,53 valores.

De todos os estudantes que concorreram ao ensino superior, este ano letivo, foram eles quem teve a média mais elevada - só igualada pelo curso de Engenharia Física Tecnológica, também do Instituto Superior Técnico.

Pela primeira vez em muito tempo, Medicina deixou de ser o curso de mais difícil acesso (surge apenas em quarto lugar da tabela, com a nota de 18,4 valores - na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto).

Os futuros engenheiros aeroespaciais recusam o rótulo de "crânios" e afirmam que não se sentem superiores a ninguém, por serem os caloiros com a melhor média do país. "Podemos ter tido mais sucesso académico, mas acho que isso não define ninguém", afirma Diogo Silva, 19 anos, aluno do 1º ano de Engenharia Aeroespacial. "Apenas sabemos que, quando temos de trabalhar, é para trabalhar", completa o colega Manuel Pimentel, de 18 anos.

Também a ideia de que há uma grande competição pelas notas, entre os alunos, é um mito. Os alunos asseguram que o ambiente entre todos é muito bom e que "toda a gente ajuda toda a gente".

Mas o que faz da Engenharia Aeroespacial o curso mais desejado? A paixão pelo Espaço? O interesse pela mecânica de aeronaves? Talvez, mas a garantia de um emprego assegurado no final do curso acaba por ser um fator preponderante.

Vão para grandes empresas e instituições dentro ou fora do país, como a Agência Espacial Europeia, a Airbus, a TAP ou a Força Aérea Portuguesa. Quando entrarem no mercado de trabalho, estes recém-licenciados engenheiros aeroespaciais vão ganhar, em média, um salário mensal de cerca de 1900 euros, segundo dados do Observatório de Empregabilidade do Instituto Superior Técnico.

A licenciatura tem mestrado integrado e a duração de cinco anos. Mais de metade dos diplomados consegue emprego na área ainda antes de terminar o curso.

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