
Carlos Saleiro (D) primeiro bebé proveta conversa com o médico António Pereira Coelho no Hospital Santa Maria em Lisboa, acompanhado da mãe Aida Saleiro (E)
Tiago Petinga / Lusa
Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução sublinha que muitos casais ainda não têm acesso a estas práticas que foram introduzidas em Portugal há 30 anos.
O primeiro bebé-proveta português nasceu há 30 anos. Foi um passo fundamental na procriação medicamente assistida no país, mas Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução sublinha que muitos casais ainda não têm acesso a estas práticas que podem significar a diferença entre ter filhos ou não.
A Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução alerta que, 30 anos depois do nascimento primeiro bebé-proveta nacional, o país continua a não conseguir responder em tempo útil aos casais que têm problemas de fertilidade.
A presidente da sociedade científica desta especialidade médica, Teresa Almeida Santos, sublinha que o sector público tem listas de espera que obrigam a adiar os tratamentos para idades em se arriscam a não ser eficazes, enquanto que no privados os custos são "proibitivos para vários casais".
Em Lisboa e mais a Sul as listas de espera podem chegar a um ano ou mais e a especialista recorda que estamos num país onde a baixa natalidade é um problema sério, pelo que esta situação contraria o discurso dos políticos.
De acordo com a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, a procriação medicamente assistida está na origem de 2,5% dos nascimentos que ocorrem anualmente em Portugal, enquanto que nos países do Norte da Europa chega aos 6% e na média comunitária ronda os 4%.
António Pereira Coelho foi o médico que esteve na origem do primeiro "bebé-proveta" português e também lamenta que passados 30 anos a procriação medicamente assistida ainda não esteja acessível a todos os casais.
O clínico recorda, aliás, que Carlos Saleiro, o primeiro bebé-proveta português (por fertilização in vitro), foi, a nível mundial, um dos primeiros a nascer por estas técnicas.