Sociedade

600 oliventinos pediram para ser portugueses nos últimos dois anos

Cerca de 600 oliventinos pediram nacionalidade portuguesa nos últimos dois anos, um fenómeno impulsionado pela Associação Além Guadiana, que se dedica a divulgar a cultura lusa em Olivença.

Só da última vez que Eduardo Machado, professor de Português e membro da Associação Além Guadiana (AAG), foi à Conservatória dos Registos Centrais de Lisboa, em dezembro de 2016, entregou mais 110 pedidos, relativos as faixas etárias do 5 aos 90 anos.

Olivença é o único concelho espanhol onde para também se ser português basta ter nascido por aqui, ser descendente ou casado com um natural da terra. Um privilégio que segundo o alcaide Manuel José Andrade torna os oliventinos "especiais".

A possibilidade de entrar no mercado de trabalho em ramos como o ensino ou serviços médicos são vantagens da dupla cidadania, mas o presidente da Associação Além Guadiana, Joaquín Fuentes, também sublinha a força das raízes portuguesas neste fenómeno, que tem despertado as entidades locais para a necessidade de recuperar a Língua Portuguesa tal como era falada na rua até meados do século passado.

O próprio alcaide encarregou-se de avançar com um projeto para reforçar o ensino do português nas escolas locais. A proposta já deu entrada no governo regional da Extremadura e visa atingir os vários níveis de ensino. "É verdade que na Extremadura se estuda Português, mas Olivença, pelas características especiais, deve ter um plano especial de Língua Portuguesa", disse o autarca que admite mesmo a contratação de professores nativos.

Eduardo Machado revela que já está criada a comissão para a comunidade educativa, que junta autarquia e estabelecimentos de ensino, com o objetivo de encontrar respostas para a procura do "Português".

  COMENTÁRIOS