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Circo: 'O maior espetáculo da terra' fecha portas depois de 146 anos em exibição

O circo norte-americano Ringling Brothers and Barnum & Bailey anunciou o encerramento definitivo da companhia em janeiro, apresentando-se ao público pela última vez em Nova Iorque a 21 de Maio.

O icónico circo norte-americano, conhecido como "o maior espetáculo da terra", fecha portas depois de 146 anos em funcionamento.

Em 1871, a família Barnum começa a viajar pelos Estados Unidos com um espetáculo itinerante. Dez anos mais tarde, os Barnum juntam-se a James A. Bailey e a James L. Hutchinson, criando o "maior espetáculo da terra".

Em 1907, depois da morte de James Bailey, os Ringlings compram a companhia de Barnum e Bailey, criando um circo com mais de 1000 trabalhadores, 335 cavalos, 26 elefantes, 16 camelos e outros animais exóticos, de acordo com dados da Associated Press. Só em 1919 é que o circo se torna conhecido como os "Ringling Bros. and Barnum & Bailey", nome mantido até hoje.
O espetáculo ficou conhecido por apresentar os artistas e as performances "mais diferentes que tinha no mundo inteiro" disse João Matos, trapezista brasileiro a trabalhar no Ringling Bros. há cerca de um ano.

"Desde colocar 15 elefantes dentro da pista do circo, fazer um trapézio com 20 trapezistas, três números de leão e tigre na mesma pista", exemplificou João Matos, explicando que, inicialmente, o circo norte-americano ficou conhecido por apresentar "shows de horrores".

A empresa anunciou o fecho do circo devido a um aumento de custos operacionais e à queda na venda de bilhetes, sobretudo desde a saída dos elefantes do espetáculo em 2016.

Depois de anos de protestos por parte de movimentos de defesa dos animais e da criação de leis em muitas cidades norte-americanas que proíbem o uso de elefantes em espetáculos, a Feld Entertainment, que dirige a companhia desde os anos 1960, anunciou o encerramento definitivo.

Os cerca de 300 trabalhadores do circo "ficaram muito tristes porque trabalham aqui há muito tempo, muitos foram embora antes de acabar o show", explicou João Matos.

O acrobata Paulo dos Santos, natural de São Paulo, trabalha no circo Ringling Brothers and Barnum & Bailey há sete anos. Está já à procura de outros palcos para apresentar os vários números que tem vindo a aperfeiçoar ao longo dos anos.

Nos primeiros anos, Paulo dos Santos viveu no famoso comboio da companhia, que transporta todos os trabalhadores, animais e material pelos caminhos-de-ferro americanos.

"A gente tem um trem de 23 quilómetros, muito grande, [onde] cada artista tem a sua habitação, o seu restaurante, os artistas podem andar de um lado para o outro para visitar seus amigos", explicou.

O último espetáculo do circo está marcado para domingo, dia 21 de maio em Uniondale, Nova Iorque e será transmitido em direto no Facebook.

O trapezista João Matos acredita que "o circo está aí e não vai morrer apesar de qualquer dificuldade que aconteça", concluindo que "o show tem de continuar".

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