Ministério da Administração Interna

"Comi belíssimas refeições no teatro de operações"

O secretário de Estado da Administração Interna diz ter ficado surpreendido com as denúncias de falhas nas refeições atribuídas aos bombeiros e promete apurar todas as responsabilidades.

Jorge Gomes diz que o inquérito que o governo ordenou à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) visa todo o processo alimentar de fornecimento de refeições aos bombeiros. Em declarações à TSF, o secretário de Estado da Administração Interna conta a experiência pessoal, diz que teve oportunidade de partilhar refeições no terreno e nunca teve razões de queixa.

"Eu tenho estado em alguns teatros de operações e em alguns comi a refeição dos bombeiros e comi boas refeições: bem confecionadas e em quantidade. Daí a minha surpresa, mas como nem sempre o que vemos acontece, pode acontecer outras coisas que não vi, achei que o melhor era instaurar um inquérito para dar tranquilidade a todos. Sejam as consequências que forem do próprio inquérito."

Jorge Gomes diz que teve conhecimento destas denúncias no final da semana passada, e ordenou um inquérito interno à Autoridade Nacional de proteção Civil. Questionado pela TSF sobre se esta investigação não devia ser realizada por uma entidade externa, o secretário de Estado garante isenção e explica porquê.

"Há uma verba estipulada para cada tipo de refeição atribuída ao operacional: 7 euros para almoço ou jantar e 1,80 euros por cada refeição complementar. A Associação Humanitária onde se localiza o incêndio é responsável pelo fornecimento das refeições aos operacionais. A seguir a associação tem que pedir o pagamento ao Centro Distrital de Operações que certifica os operacionais que estiveram no terreno e isso vem para a ANPC que procede ao pagamento. O Estado não paga nada que não esteja bem controlado e a própria direção nacional tem o numero de operacionais que foram saindo e entrando do teatro de operações."

Em declarações ao jornal Público, o autarca de Sardoal fala num saco azul, diz que as verbas que o estado disponibiliza para alimentar os bombeiros são entregues a quem trata da logística e sem necessidade de documentos comprovativos das despesas...

O secretário de Estado da Administração Interna pede provas e diz que não se deve usar os incêndios para fazer política.

"Se existe algum saco azul o presidente da câmara se acha que existe deve dizer onde está, quem o tem e denunciar. Na política servimo-nos dos incendiários para acusar tudo e mais alguma coisa é o mais incorreto. Não é com este tipo de procedimento que valorizar os operacionais e as instituições e o Estado que faz tudo o que pode para ajudar os cidadãos a que tudo corra bem."

O relatório do inquérito que o governo pediu à ANPC deve estar concluído até 30 de setembro.

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