Peixe

Da lota ao prato: Como aumenta o preço do peixe

Sabia que o carapau médio, que na peixaria ronda os 5,5 euros, saiu da lota a cerca de um euro o quilo? Alertados pelo observatório da Docapesca, seguimos as várias fases de venda do peixe.

Na Docapesca de Matosinhos os barcos começam a descarregar o pescado manhã cedo. No final do dia contam-se cerca de 60 barcos da pesca artesanal e três arrastões. Há mais de duas mil caixas de peixe para o leilão.

Pedro Franco é do arrastão Foz da Nazaré, passou quase 15 horas no mar, e diz que esta vida é muito incerta. "Quando há pouco peixe o preço sobe, quando há muito baixa. Às vezes, aqui na lota, o carapau médio sai abaixo de um euro o quilo".

Horas antes do início do leilão, começam a chegar à Docapesca os primeiros compradores. Tiago Ferreira trabalha para uma grande superfície e garante que o lucro não é tão grande como se pensa."Entre o valor a que compramos e o valor a que é vendido na grande superfície, às vezes é mais barato na loja".

Já Fábio Santos, operador de lota, ou seja, o intermediário entre o armador e o comprador do peixe, fala numa realidade diferente.

"O preço real, o chamado preço do mar, é muito inferior ao preço do consumidor final... mas é menor, muitas, muitas vezes. Dou um exemplo, uma caixa de verdinhos do arrasto é vendida às vezes a 12 cêntimos o quilo e ao consumidor final chega a 2,79 euros o quilo. Estamos a falar de 400, 800 vezes mais caro. A sardinha bate recordes, é outro exemplo, quem paga um euro o quilo da sardinha (e é caro), os restaurantes vendem a dose de sardinhas a 7 euros. Estamos a falar de três sardinhas e duas batatas, uma sardinha que o quilo valeu um euro e cada uma sai a 13 cêntimos, mas ao consumidor final vale 1,5 euros. São 800 vezes o valor real".

De segunda a sexta-feira, às 16h30, há leilão de peixe na Docapesca em Matosinhos. Na semana de 6 e 10 de fevereiro, o robalo foi vendido a uma média de sete euros o quilo; a pescada a três euros; o carapau a um euro e o polvo a cerca de cinco euros o quilo.

Cá fora, à porta da Docapesca as vendedoras de peixe exibem a montra para chamar clientes. Sofia Santos passa aqui as manhãs e garante que quase não tem lucro. "se ganhar um euro ou dois, é a margem de lucro".

Da lota para a rua e da rua para a peixaria. Poucos metros a sul da Docapesca, Joaquim Santos garante que a margem de lucro é mínima. "A margem de lucro é entre os 10% e os 15% na peixaria e temos ainda algum prejuízo quando o peixe não é vendido".

Ainda na Rua Heróis de França, onde fica a Docapesca, espreitamos as montras dos restaurantes. Por exemplo, o carapau médio que saiu da lota a cerca de um euro o quilo, custava 2,5 euros na vendedora de rua e na peixaria 5,5 euros o quilo, é vendido a oito euros a dose.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

  COMENTÁRIOS