Sociedade

Livro de Valter Hugo Mãe "entrou no 3.º ciclo por lapso"

O romance "O Nosso Reino" continua no Plano Nacional de Leitura, mas passará a ser lido apenas por alunos do secundário. O escritor já lamentou ter visto o livro "reduzido a duas frases".

"Não está em causa a sua qualidade literária, o que houve foi um problema de inserção na lista. O livro entrou no 3.º ciclo por lapso, porque foi escolhido para o secundário", diz Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura (PNL).

São centenas de livros e dezenas de listas que integram o PNL, pelo que é normal que ocorram erros deste tipo, explicou o responsável, exemplificando com um caso semelhante que aconteceu há uns anos com um livro da escritora Alice Vieira.

A polémica surgiu quando pais de alunos do 8.º ano do Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, que leram o livro nas férias do Natal, se aperceberam do seu conteúdo e protestaram. Entre o conteúdo polémico encontra-se a frase: "E a tua tia sabes de que tem cara, de puta, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu".

Já depois de anunciada a correção do erro - e a inclusão de "o nosso reino" apenas no PNL dos alunos com mais de 16 anos -, o escritor Valter Hugo Mãe usou o Facebook para comentar a polémica. O autor lamenta ver o seu livro "reduzido a duas frases, e por duas frases julgado, é sintomático do tempo de sentenças sumárias em que vivemos".

De qualquer forma, o Fernando Pinto de Amaral desvaloriza a polémica, explicando que não se trata de uma obra de cariz erótico, mas de um livro com memórias de infância e que tem umas passagens com conteúdo sexual, que apareceram descontextualizadas da narrativa.

Assim, o livro continuará a integrar o PNL, mas na lista das leituras recomendadas para alunos do secundário.

Em declarações à TSF, Isabel Alçada, escritora e ex-ministra da Educação, disse nunca ter aceite nas suas aulas linguagem como aquela que aparece no livro.

"O Nosso Reino" estava nas listas dos livros de leitura recomendada para o 3.º ciclo do ensino básico, que abrange 7.º, 8.º e 9.º anos, portanto, alunos com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos.

A decisão de passar o livro para as listas do secundário foi tomada após uma reunião hoje à tarde com a comissão de especialistas que selecionam os livros.

Contudo, Fernando Pinto do Amaral sublinhou que esta decisão não foi uma "reação" à polémica, mas sim a correção de um lapso, que entretanto foi detetado.

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