
Miguel Midões / TSF
Depois de terem estado praticamente desativadas, as salinas do estuário do Mondego sentem um novo impulso. A câmara local criou um museu do sal e em 2016, perto de 7 mil pessoas já lá estiveram.
Há 42 salinas ativas na Figueira da Foz e o núcleo tenta que os vários produtores percorram de mão dada o caminho de revalorização do sal português.
Consumidores, produtores e turistas aumentaram o interesse pelo sal natural, conseguido por evaporação solar. Entre os anos 70 e os anos 90 houve uma quebra forte na produção e um abandono intenso das salinas. "Em 1936 tínhamos 500 salinas e em 1791 tínhamos 1115, mas foram destruídas". Neste momento, há apenas 42 salinas ativas na Figueira da Foz, explica Jacqueline Bessone, do Núcleo do Sal da Figueira da Foz, que depois traduz para quem veio da Áustria, Eslovénia ou Inglaterra. "Tínhamos aqui nos anos 50 uma produção de cerca 30 mil toneladas e o sal esgotava-se: na pesca, na pesca do bacalhau, na salga das carnes e do peixe em todas as casas portuguesas", acrescenta.
Mas, há agora uma nova geração, que dá outro tempero ao negócio do sal. Ser marnoto, aquele que tira o sal, era profissão que só de homens."Acho que estou nesta atividade só por amor. Neste momento já não é tão rentável como foi nos anos 30, mas nós temos que o tornar rentável e que seja valorizado", diz Gilda Saraiva que se assume marenota, e que é também produtora de sal.
Gilda Saraiva guia-nos pelos talhões onde o sal se amontoa numa das extremidades. O marnoto faz o trabalho duro, mas está tudo nas mãos do tempo, e este ano, não será ano de sal."Em maio, que era a altura em que tínhamos de preparar o terreno para receber a água do mar não conseguimos porque esteve a chover o mês inteiro. E, depois, estamos nos finais de agosto e estão estes dias assim, que não dá para que haja qualquer evaporação".
Vai haver menos sal, este ano, na Figueira da Foz. Já os turistas são cada vez mais os que querem ver e sentir nas mãos o "ouro branco".
No Eco museu do sal as visitas não param de aumentar. O Núcleo Museológico está a celebrar o seu nono aniversário e só este ano já passaram perto de sete mil pessoas pelo espaço. Em todo o ano de 2015 visitaram o local mais de oito mil pessoas. Um número que se mantém ascendente desde que foi inaugurado.
No espaço existe também um Pedarium, um local onde os visitantes podem colocar os pés diretamente nas salinas e sentirem os efeitos terapêuticos do sal.
Para além de potenciar aos turistas um conhecimento sobre a produção de sal, o núcleo da Figueira da Foz pretende ainda unir os produtores à volta da promoção da produto e, por isso, para breve, está a criação de uma Associação de Produtores de Sal.