Vila Nova de Gaia

Mercado renovado anima beira-rio gaiense

Meio ano depois de obras de reabilitação, o Mercado da Beira-Rio surge de cara lavada e alma remoçada.

Longe vão os tempos em que o mercado de Vila Nova de Gaia era ao livre, junto ao chamado cais da vila. O Mercado da Praia, espaço vedado com grades de ferro mas sem cobertura, foi o passo seguinte, em 1896, antecedendo o edifício, inaugurado em 1904, cuja configuração tinha a forma que hoje conhecemos.

Hoje, 80 anos volvidos sobre a data da abertura do atual espaço, o Mercado da Beira-Rio surge de cara lavada e alma remoçada, após meio ano fechado para obras de reabilitação, que orçaram, em 1,4 milhão de euros. O mercado ficou mais airoso, moderno e funcional.

«Estava muito mal. Não havia condições», recorda a D. Joaquina, que há mais de três décadas e meia ali ganha o sustento vendendo legumes e fruta. Ao lado, a D. Maria José, uma vida passada no mercado, -- «estou aqui desde que me conheço» --, acrescenta que «já merecíamos uma coisa melhor, diferente. Está bonito e ficamos satisfeitas, depois do sacrifício causado pelas obras. Estávamos muito escondidas num lugar que não era de passagem e o negócio ressentiu-se. Só lá ia a clientela que nos conhecia. Agora, tudo está bem, mas ...falta o resto».

Os clientes hão de aparecer nas 11 bancas de legumes, frutas, padaria e talho que ocupam um quarto da área total - mais de 1000 m2 - do mercado.

Rosa Da Fruta, Mercadinho TiOlívia, Quina da Fruta, Zeza da Praça, Alberto das Carnes, Cardoso dos Frangos e José Piloto passam a conviver com os chocolates da Arcádia, o sushi, literalmente, a metro, e o ceviche do Terra e os hambúrgueres do Alta Burguesia: de figos recheado com presunto; camarão com ananás; alcaparras e presunto; linguiça, bacon e ovo de codorniz, entre outros.

O conceito está na moda -- a integração de espaços de restauração, que transformam áreas significativas dos velhos mercados em verdadeiras praças de alimentação - e constitui novo fator de atração deste mercado ribeirinho, que dispõe de 178 lugares no interior e 344 lugares na esplanada exterior.

Há opções para todos os gostos e apetites, desde saborear o reco assado n' O Forno do Leitão do Zé, ao Bacalhau do Porto do chef Manuel de Almeida - cartuchos com bolinhos, pataniscas ou taliscas do fiel amigo, para além dos pratos mais clássicos apresentados com modernidade às tábuas de queijos e enchidos nacionais da Queijaria Portuguesa.

No Barriga Negra, para além de sabores alentejanos, a pasta de morcela com queijo Serra da Estrela é imperdível, enquanto no Taxca, as sandes de presunto e muitos petiscos tradicionais alimentam vasta lista de saborosas opções.

Há também lugar, nos 47 espaços comerciais, para outros sabores: as piadinas italianas da Piadina Mia e os croquetes cremosos de camarão queijo e carne de vaca da Kroquet, de inspiração holandesa.

Para adoçar a boca, há ainda os bolos da Miss Pavlova e os brigadeiros do Brigadão.

Novidade a norte é a Super Bock Beer Experience: cada cliente pode tirar a sua própria cerveja, desde a gama Seleção 1927 à Stout e à Original.

No entanto, nem só de restauração, com horário alargado ao fim-de-semana, vive o remodelado mercado gaiense: música ao vivo, exposições de arte, recitais de poesia e eventos temáticos sazonais estão na agenda deste espaço gerido pela sociedade Fachada Oceânica, consórcio composto pela construtora Lucios, Legível Puzzle, cujos sócios são a PEV Entertainment (promotor do Festival Marés Vivas) e a Jocalu Higiene Industrial.

A criação de 100 novos postos de trabalho e um volume de negócios de cerca de 3,5 milhões de euros são objetivos a atingir. Com sabores, tradição e cultura.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

  COMENTÁRIOS