Sociedade

"O humanismo não tem nacionalidade"

Manuel Vilas Boas conversou com Anastácio Jorge, missionário português em Moçambique.

Anastácio Jorge nasceu no hospital Rovisco Pais da Tocha, em 1959. É o sétimo filho de mãe leprosa, facto que marcaria, em definitivo, a sua existência.

Irrequieto quando miúdo viria a integrar, depois do 25 de Abril, a UEC (União dos Estudantes Comunistas), enquanto estudava num colégio salesiano.

Um fator místico, não explicado, leva-o a entrar, aos 21 anos, no Seminário das Missões de Valadares. Segue para Moçambique, depois de estudos feitos no Porto e em Roma. É ordenado padre pelo cardeal do Maputo, em 1992.

Nos últimos trinta anos, enquanto pároco de Malavane e do Aeroporto, desencadeou obras de promoção social, incluindo leprosos, com apoio de organizações internacionais, tendo, por isso, sido condecorado pelo presidente Cavaco Silva, em 2008 e pelo ministro da Educação de Moçambique.

Muito crítico, o padre Anastácio avisa a Igreja que "o poder mata e corrompe e que "não pode manter um sistema de pobreza com a promoção de uma Caritas de socorro." E acrescenta "Para mim não há poder, há serviço".

Este missionário, de 57 anos, defende ainda o microcrédito como "escola de valores". Seguidor da pastoral do Papa Francisco defende também que "o humanismo não tem nacionalidade" e que "Deus não põe ninguém no lixo".

A entrevista é conduzida pelo jornalista Manuel Vilas Boas.

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