Sociedade

O que fazer em caso de incêndio. Guia de procedimentos

O presidente do Centro de Estudos de Intervenção e Proteção Civil traça na TSF um guia com procedimentos de segurança a adotar em caso de fogos florestais. Confira os principais conselhos.

O presidente do Centro de Estudos de Intervenção e Proteção Civil diz que, nos casos de incêndio, há um "antes, um "durante" e um "depois".

Antes é desejável que as pessoas estejam atentas aos boletins meteorológicos. Duarte Caldeira sublinha que ventos fortes, humidade baixa e temperaturas elevadas, sobretudo depois de um período de seca, representam um risco elevado de incêndio.

E "durante"? Primeira regra: ligar o 112.

"Ligar 112 quando testemunhamos o início de alguma ignição, não havendo qualquer problema se tivermos dúvidas se estamos ou não no início de uma ignição. É sempre preferível ligar".

Depois, se o incêndio está a ocorrer numa propriedade, é preciso eliminar materiais combustíveis e cortar o gás.

"O gás é um risco adicional e deverá ter-se em consideração esta regra elementar de segurança".

Segue-se o conselho para "molhar os edifícios com água no pressuposto de que cumprimos a regra preliminar de eliminar a matéria combustível à volta dos edifícios".

Limpar as matas em redor, não acumular lixo nem matéria inflamável. No pressuposto de que foi feito esse trabalho de casa, molhar os edifícios com a ajuda de mangueiras.

Outra questão importante é planear as rotas de fuga antes dos incêndios.

"Quando estamos numa casa devemos pensar em saídas alternativas, na impossibilidade de utilizar a porta principal".

Num incêndio há sempre uma série de imponderáveis, mas "em condições normais", sublinha Duarte Caldeira, "quer em casa, quer no carro, o melhor é não passar ao espaço exterior".

Depois, há a questão das evacuações.

"Se as autoridades que têm competências legais, aconselharem a abandonar os locais, procedendo à evacuação, embora seja um momento doloroso, há que partir do princípio que não são ações intempestivas e que foram previamente avaliadas. Não há que hesitar em respeitar as ordens de evacuação".

E no caso de estarmos dentro do carro:

"Em primeiro lugar, há uma questão essencial: evitar transitar por vias rodoviárias mesmo que estejam abertas, se estiveram na proximidade de incêndios. Isso é facilmente identificável através das nuvens de fumo. Vale mais parar e procurar informação sobre a possibilidade de haver um incêndio na estrada do que entrar nela às cegas, porque pode haver uma falha de comunicação, a estrada estar efetivamente aberta e as pessoas ficarem encurraladas nos seus automóveis".

Nesse caso, deve permanecer dentro da viatura e fechar todas as janelas.

"Se calhar é altura de procurar assumir que é muito importante ter máscaras de fumo dentro do automóvel, porque é preciso ter em conta que há uma percentagem muito elevada de pessoas que começa por morrer em consequência dos fumos e só depois é apanhada pelo incêndio".

O presidente do Centro de Estudos de Intervenção e Proteção Civil diz que na Austrália e na Califórnia, onde há muitos incêndios florestais, a máscara já faz parte dos equipamentos domésticos.

"Em Portugal, nas zonas do país onde é previsível que o risco de incêndio vá aumentando cada vez mais, as pessoas devem ter em casa e no carro máscaras".

"Na falta de máscaras, as pessoas não deverão expor-se ao fumo sem procurarem defender-se do mesmo com um lenço ou uma toalha molhada".

Nos kits de emergência deve haver também mantas corta-fogo e um rádio a pilhas, porque se ficarem cortadas as comunicações, não houver telefones nem eletricidade, as pilhas são as últimas a falhar

"É sempre aconselhável que nos kits de emergência haja um rádio a pilhas, porque é o último a falhar.

Por outro lado, é importante que as pessoas nas aldeias - e esse é um trabalho fundamental a desenvolver pelas juntas de freguesia - tenham um local de reunião para facilitar que as pessoas não se isolem, porque a pior coisa que pode acontecer é um cidadão ficar isolado dos demais. As pessoas em conjunto conseguem sempre encontrar soluções de fuga e salvaguarda da sua vida do que sozinhas ou isoladas"

"As juntas de freguesia e as câmaras devem ter uma atitude pedagógica e proporcionar formação às pessoas até de forma lúdica. Esse papel é fundamental na prevenção", considera Duarte Caldeira.

Mas voltemos ao "durante". Num caso de incêndio é importante também manter o corpo hidratado, bebendo água.

"É muito importante ter reservas de água em casas. Muitas pessoas têm poços, mas os poços são exteriores"

Quanto ao "depois", não se deve voltar às casas sem a autorização dos bombeiros ou das autoridades.

"Por um lado, é preciso ter a certeza que a estrutura da casa não ficou afetada pelo próprio incêndio e que, ao entrar nela, não se está a correr risco de colapso do próprio edifício. Por outro lado, nos caminhos de acesso, as árvores geram junto às suas bases covas que fazem com que a pessoa, se não tiver atenção, corra o risco de queimar-se na matéria incandescente por baixo do solo. Ao caminhar no regresso, em zonas queimadas, é preciso ter em consideração que ainda há matéria a arder no subsolo"

Ou seja, seguir a indicação das autoridades para sair no momento da evacuação e esperar pelo OK para voltar a casa em segurança.

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