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Pedras no areal? Guarde-as todas e construa uma mariola

Nos últimos meses, numa praia de Vila Nova de Milfontes, milhares de pedras têm sido empilhadas na areia por turistas. Nasceu uma galeia de arte improvisada ao ar livre na praia do Farol.

Em Vila Nova de Milfontes, alguém seguiu a célebre expressão "Pedras no caminho? Guardo-as todas. Um dia vou construir um castelo" e decidiu edificar mariolas (pedras empilhadas que servem para indicar o caminho aos pastores nas zonas serranas) de várias formas e tamanhos.

"Foi no final de fevereiro, início de março" que começaram a aparecer as primeiras construções de pedra na praia do Farol, conta António Guiomar, proprietário do restaurante A Choupana, edificado há 35 anos junto ao areal.

Não se recorda do dia certo, mas sabe como tudo começou. "Vi um casal de estrangeiros que estavam a levantar umas pedras. Não liguei àquilo. No dia seguinte de manhã disse para mim: olha está aqui uma coisa tão engraçada".

"No outro dia, ou não sei quantos dias depois, chegou outro casal que fez a mesma coisa. Depois veio outro e fez a mesma coisa. Todos os dias aparecia alguém a fazer isso", recorda.

De vários tamanhos e formas

Hoje são milhares de pedras empilhadas que formam uma exposição ao ar livre de arte improvisada num areal que "nunca foi grande coisa como praia" devido ao grande número de seixos de vários tamanhos e ao fundo de mar rochoso que já é conhecido dos amantes da fotografia do pôr-do-sol na maré baixa.

Além de mariolas de vários tamanhos, há quem até tenha erguido um pequeno muro e alguns deixaram na pedra inscrições para a posteridade. É tudo feito por quem ali passa, "uns porque têm jeito, outros porque não têm", brinca António Guiomar.

O fenómeno só começou a ser conhecido da população de Vila Nova de Milfontes "muito depois de ter começado, talvez em julho". No pico do verão as pedras são um chamariz: "Acho que isto é bom. Traz para aqui mais pessoas que gostam de ver. É um corrupio de gente todos os dias", assegura.

E o negócio melhorou no restaurante? "Não tenho razão de queixa. As pessoas sempre apareceram, mesmo de inverno quando não havia nada", diz o empresário.

O mar vai decidir

António Guiomar prevê que as pedras sejam derrubadas pelo mar quando chegar o inverno. "Pode ir tudo embora. Chegando uma maresia, aquilo desaparece dali tudo".

Apesar de estar todos os dias na praia, António não se acha o guardião das pedras: "Eu não as posso guardar. O mar é que tira e põe, eu não posso fazer nada".

** Artigo corrigido em 29 de agosto.

A expressão "Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo" não é da autoria de Fernando Pessoa. Trata-se de um apócrifo, ou seja: "um texto que não foi escrito por Fernando Pessoa, apesar de lhe ser atribuída a autoria", esclarece a Casa Fernando Pessoa adiantando que "o apócrifo em questão circula há vários anos na Internet e tem vindo a prolongar-se assim o equívoco". A frase será da autoria de um blogger brasileiro.

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