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Parlamento Europeu acaba com subsídios para touros de morte

O Parlamento Europeu aprovou uma emenda que proíbe o uso de fundos da Política Agrária Comum em propriedades onde sejam criados touros de morte. A Federação das Associações Taurinas argumenta que apoios europeus não chegam cá, mas o PAN lembra que não é bem assim.

"Nem os dinheiros da PAC (Política Agrícola Comum) nem quaisquer outras verbas orçamentadas devem ser utilizadas para financiar atividades de tauromaquia em que o touro seja morto", pediram os deputados numa alteração à posição do Parlamento sobre o orçamento comunitário de 2016, que contou com 438 votos a favor, 199 contra e 50 abstenções.

À TSF a Federação das Associações Taurinas desmente a existência de apoios comunitários diretos à tauromaquia. O presidente da federação diz que, de facto, os eurodeputados aprovaram uma emenda ao Orçamento do próximo ano que define que a PAC não deve ser utilizada para injetar verbas em atividades que impliquem a morte do touro, mas esta é uma emenda que não faz sentido já que "não há nenhum apoio destinado a touros bravos ou à tauromaquia".

Hélder Milheiro acrescenta ainda que esta não é a primeira vez que surge a informação de que a tauromaquia é financiada diretamente por fundos comunitários. Isto, apesar dos "cerca de vinte" desmentidos da Comissão Europeia e até do governo português de que esses apoios existem.

Opinião contrária tem André Silva, deputado do PAN - Pessoas Animais Natureza, que se congratula com a decisão do Parlamento Europeu e que lembra que este é um primeiro passo para defender os direitos dos animais num sector que continua a ter acesso a fundos comunitários.

"Os fundos europeus são fundos de todos nós e servem, por exemplo, para recuperar praças de touros" afirma o novo deputado na Assembleia da República. André Silva lembra o caso da recuperação da praça de touros de "Estremoz, que custou cerca de dois milhões de euros e parte, ou grande parte desse financiamento, foi efetuado através de financiamento europeu".

O deputado sublinha contudo que os subsídios que foram chumbados no Parlamento Europeu referem-se a touros "que morrem na arena" e esses estão mais canalizados para Espanha. "No caso português, em que a maioria dos touros não morre na arena [...] isto só se aplica ao caso de Barrancos e eventualmente Monsaraz" admite André Silva.

O pedido do Parlamento Europeu - tal como a totalidade da posição orçamental do Parlamento - terá ainda de ser negociado com o Conselho da União Europeia (que representa os estados-membros), no âmbito do processo de conciliação para a aprovação do orçamento de 2016.

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