Banco Mundial

Portugueses pouco ou nada sabem sobre o FMI, a NATO ou mesmo o SNS

Estudo revela que muitos não conhecem os seus direitos como utentes do Serviço Nacional de Saúde. E ignoram coisas, à partida básicas, sobre instituições que influenciam muito as nossas vidas.

Cerca de metade dos portugueses acreditam que o governo pode anular as decisões de um tribunal. Este é apenas um dos vários exemplos dos conhecimentos errados de muitos sobre instituições fundamentais para a democracia e que surge num estudo que será esta quinta-feira debatido por vários especialistas no Observatório da Qualidade da Democracia do Instituto de Ciências Sociais.

O inquérito foi promovido pela associação de consumidores Deco e revela que além de confiarem pouco em muitas instituições, demasiados portugueses pouco ou nada sabem sobre as mesmas. Por exemplo, 55% não sabem qual a função do Banco de Portugal. Quase 40% acreditam que alguns deputados europeus são nomeados pelo governo. E 57% acham que o Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma organização com fins lucrativos, além de 47% que admitem que a Organização Mundial da Saúde (OMS) seja sobretudo financiada pela indústria farmacêutica.

Para que não fiquem dúvidas, todas as afirmações anteriores estão erradas, sendo que as ideias sem fundamento existem, também, com muita frequência, em relação às funções e funcionamento, entre outros, da NATO ou Banco Mundial.

Mesmo sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), uma das entidades mais próximas do dia-a-dia dos portugueses, apenas 23% estão bem informados dos seus direitos como utentes e 46% não sabem como fazer queixa dos serviços, por exemplo devido a um erro médico.

Na comparação com outros países, onde o estudo também foi feito (Espanha, Itália e Bélgica) os resultados portugueses tendem a ser os mais fracos em vários aspetos. Sobre o FMI, por exemplo, que já "andou" por Portugal três vezes nos últimos 40 anos, apenas 5% classificaram de forma correta todas as afirmações sobre esta instituição, o valor mais baixo na comparação com outros países.

O responsável pela coordenação do inquérito da Deco, Bruno Santos, diz que os resultados a que chegaram são "alarmantes porque estamos a falar de instituições que têm um peso muito importante na nossa vida, sendo que o pouco conhecimento também acaba por estar associado a uma grande desconfiança".

Os resultados deste estudo serão esta quinta-feira debatidos por políticos e especialistas em Ciência Política num encontro sobre "Qualidade da Democracia e a Confiança nas Instituições Políticas", no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

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