
Criança no campo de refugiados de Shawqaba, norte do Iémen.
© Abduljabbar Zeyad/Reuters
No Dia Internacional da Rapariga, a organização Save the Children lança o alerta. A cada 7 segundos uma rapariga com menos de 15 anos é obrigada a casar.
A pobreza, as guerras e as crises humanitárias são os principais fatores de risco que levam aos casamentos infantis. O Afeganistão, o Yemen, o Mali e a Somália aparecem no topo da lista dos países onde as raparigas são obrigadas a casar mais cedo. Já a Índia é a nação com o maior numero de casamentos infantis, cerca de 47% das raparigas, quase 25 milhões são casadas antes dos 18 anos.
A organização não-governamental documentou casos de meninas de 10 anos obrigadas a casar com homens que podiam ser pais delas.
Kitty Arie, advogada da Save the Children, explica que os casamentos prematuros têm efeitos devastadores: "Estas raparigas têm mais probabilidade de abandonar a escola e por isso de viverem na pobreza. O casamento infantil dá inicio a um ciclo de desvantagens que estamos a tentar quebrar porque sabemos que ao acabar com estes casamentos aumentamos a escolaridade destas raparigas, o potencial para trabalharem e contribuírem para a sociedade".
O relatório hoje divulgado chama a atenção para as situações nos campos de refugiados onde muitas famílias casam as filhas para as protegerem da pobreza e das redes de tráfico sexual. Kitty Arie diz que essa situação é bem visível entre os refugiados sírios: "Nós sabemos que uma em cada 4 raparigas sírias com idades entre 15 e 17 anos que estão refugiadas na Jordânia estão casadas".
A comunidade internacional comprometeu-se a acabar com o casamento infantil até 2030 mas se nada for feito o número aumentará dos 700 milhões atuais para 950 milhões daqui a 14 anos.