Sociedade

Tabaco com rótulos de imagens chocantes tem pouco impacto na redução do consumo

Depois de um ano de circulação de tabaco com rótulos que mostram imagens chocantes, a Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo admite que a medida não causou "grande impacto".

"Não acreditamos que a entrada em vigor tenha causado um grande impacto na população a ponto de haver uma redução [no consumo]", disse Hilson Cunha Filho, da direção da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo (COPPT), explicando que "os maços de tabaco, ao contrário de outros países, foram sendo implementados muito lentamente e isto fez com que a própria população assimilasse aquela informação de forma menos impactante".

Ainda assim, Hilson Cunha Filho garante que há fumadores a deixar o vício motivados pelas imagens da rotulagem, porque acabam por ter "a perceção mais forte de que efetivamente o tabaco faz mal ou até porque identificam a imagem com algum problema que já ocorreu na sua própria família".

Cristina Ribeiro, gerente de uma tabacaria em Lisboa, não sentiu diminuição nas vendas mas garantiu que a medida não foi bem recebida pelos clientes.

"Ao início [a reação] foi muito má. As pessoas não gostaram das fotografias. Temos fotografias muito más, o cliente não gostou. Hoje ainda reclama e escolhe fotografia", disse à TSF.

Cristina Soeiro também trabalha numa tabacaria especializada em charutos e explicou que "os clientes têm contornado a situação de uma forma muito simples, com as cigarreiras e as novas caixinhas para taparem a imagem".

O presidente da Associação Nacional de Produtores de Tabaco diz que "a rotulagem é exagerada e obscena em algum casos", acrescentando que a indústria do tabaco é mais penalizada em comparação com outras áreas que afetam a saúde pública.

"Ninguém dá um tiro em ninguém depois de fumar três maços de tabaco. Ninguém se estampa de automóvel a 190 ou a 200 à hora depois de ter fumado três maços de tabaco. Mas há uma data de gente que o faz depois de beber duas garrafas de vinho", exemplificou António Abrunhosa.

O presidente da Associação Nacional de Produtores de Tabaco acrescentou que "se a questão fosse de facto o impacto na saúde pública, hoje o álcool já está seguramente tão proibido como o tabaco".

"Portugal está entre os quatro países da Europa onde menos de se fuma na Europa", disse Hilso Cunha Filho da COPPT mas garante que a luta contra o tabaco não fica por aqui.

"Contiguamos insistindo e acreditamos que numa próxima diretiva Europeia, se Portugal não resolver adotar antes disso os 'plain package' [maços totalmente cobertos com imagens chocantes] deve criar uma nova rotulagem de tabaco, eliminando as marcas", acrescentando que "falta muito pouco para que isso aconteça".

A partir de 21 de maio de 2017, os cigarros, o tabaco de enrolar e o tabaco para cachimbo de água deixam de poder ser vendidos apenas com frases de advertência, passando a ser obrigatória a venda de tabaco exclusivamente com rotulagem de imagens chocantes.

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