Transportes

Taxistas dizem que autarquia de Lisboa os escutou, ao contrário do Governo

Os representantes do setor do táxi saíram esta quarta-feira satisfeitos de uma reunião com o presidente da Câmara de Lisboa, a quem transmitiram as suas preocupações.

"O presidente da câmara anotou, está recetivo a ouvir as nossas pretensões e ficou de marcar nos próximos dias a entrega do parecer sobre esse documento para o Governo, para acertarmos em conjunto as diretrizes que se irão tomar com a câmara com o objetivo de enquadramento das centrais digitais. Sempre defendemos que têm de ser regulamentadas, mas não no sentido em que o Governo as quer regulamentar. Há que haver contingentes, preços fixos", declarou à TSF o presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio Almeida.

No final da reunião, o presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos, disse aos jornalistas que o tema principal "foi a questão dos contingentes porque a Câmara tem certamente uma palavra a dizer".

Como se constitui o contingente do transporte de passageiros e quantos carros vêm para o contingente são algumas das questões que os taxistas querem ver respondidas, uma vez que defendem que há táxis a mais em Lisboa e, na proposta apresentada pelo Governo para regular a atividade das plataformas de transportes de passageiros como a Uber ou a Cabify, o contingente não tem limites.

Recentemente questionado sobre o número de táxis na capital, o autarca Fernando Medina afirmou não ter algum "indicador de falta de contingente na cidade de Lisboa", embora admita, "em tese, um número elevado de licenças atribuídas". De acordo com a lei, compete às câmaras municipais definirem o contingente de táxis necessários para as suas cidades.

Florêncio Almeida deixou ainda outras críticas à proposta apresentada pelo Governo, nomeadamente em relação à formação dos taxistas.

"Não é de forma nenhuma aceitável que os motoristas de táxi continuem com uma formação que tem de ser dada por entidades certificadas de 125 horas e paguem 80 euros ao Instituto de Mobilidade e Transportes" quando os motoristas que prestam serviço às plataformas "vão ficar com uma formação de 30 horas dada por entidades que nem sequer são certificadas para dar formação".

Carlos Ramos deu outro exemplo ao afirmar que os condutores de transporte público de passageiros têm de ser sujeitos a uma avaliação física e mental e a proposta do Governo "faz tábua rasa" dessa avaliação. "É a lei da selva. Fé em Deus e pé na tábua", afirmou.

Questionado sobre possíveis situações de violência na manifestação convocada para dia 10 de outubro, o presidente da FPT responsabilizou o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, por quaisquer atos que venham a ocorrer.

"Temos sempre apelado à não violência. Quem foi o principal agressor, incendiário do setor, foi o senhor secretário de Estado, que veio publicamente dizer que os taxistas são vigaristas. O senhor secretário de Estado pode pensar o que quiser, não o pode é dizer porque é um homem do Governo. É a ele que tem de se pedir alguma responsabilidade", afirmou.

A Câmara de Lisboa e os representantes da Antral e da FPT ficaram de fazer uma nova reunião nos próximos dias.

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