Incêndios

Incêndio em Pedrógão Grande faz 61 mortos e 59 feridos

Primeiro-ministro corrigiu número no balanço oficial realizado pouco antes das 16h00. Incêndio tem quatro frentes ativas, duas delas ainda com bastante intensidade.

* Última atualização às 17h00

O primeiro-ministro, António Costa, corrigiu o balanço oficial de vítimas no incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, de 62 para 61, uma vez que um dos registos tinha sido duplicado.

O número de feridos permanece nos 59, dos quais oito são bombeiros voluntários, quatro em estado grave, na sequência do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, este sábado.

Sobre o incêndio, no balanço realizado ao início da tarde, o secretário de Estado afirmou que se mantêm as quatro frentes ativas, duas delas a arder "com muita violência" e duas em que os bombeiros estão a conseguir ganhar terreno.

No entanto, Jorge Gomes alertou que as autoridades estão muito preocupadas porque se estão a levantar ventos cruzados, situação que se verificou no sábado e que terá estado na origem deste grande incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande.

Jorge Gomes fez ainda um apelo às populações para que não tentem ir ver o fogo. "Mantenham-se sossegados nas suas casas porque esta tragédia aconteceu também pela curiosidade", adiantou.

Sobre a origem do incêndio, o governante afirmou que, numa primeira análise, a Polícia Judiciária transmitiu que "foi um raio de trovoada seca que rachou uma árvore" e terá começado aí o incêndio que ainda lavra com violência.

Questionado sobre as dificuldades sentidas no combate ao fogo, Jorge Gomes disse que estão a ser utilizados os meios que as circunstâncias permitem e, depois de os meios aéreos não terem podido atuar logo desde as 08:00 devido a uma cortina de fumo, um Canadair espanhol já está neste momento no local.

Às 11h00, visivelmente emocionado, Jorge Gomes apontou os locais em que estão a ser encontradas as vítimas mortais, na Estrada Nacional 236.1, que faz a ligação ao Itinerário Complementar (IC) 8. "Foram encontradas 30 pessoas em viaturas e 17 fora das viaturas ou nas margens da estrada e em ambiente rural foram encontradas 10 vítimas mortais", disse.

Na Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande está instalado um ponto de acolhimento e de informação onde estão elementos da Segurança Social que prestam "toda a ajuda, apoio e esclarecimentos possíveis".

O secretário de Estado da Administração Interna sublinhou ainda que não há agora nenhuma localidade em risco. Foi também declarado estado de emergência máximo.

António Costa falava esta madrugada, na "maior tragédia humana nos últimos anos" e anunciou reforço de meios para este domingo. Dois Canadair espanhóis vêm ajudar os bombeiros portugueses no combate a este incêndio, a partir das 8h.

De acordo com a Proteção Civil, vão ser ativados oito geradores para colmatar a falta de eletricidade na zona.

Alguns populares foram obrigados a abandonar as suas casas em zonas mais remotas de Pedrógão Grande.

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se ao local do incêndio cerca das 00:40 e, depois de ouvir um ponto da situação, deixou, em primeiro lugar, as condolências às famílias das vítimas.

O chefe de Estado fez também questão de deixar uma palavra de "gratidão e conforto" a todos os que estão envolvidos no combate ao incêndio, dizendo referir-se a bombeiros, Proteção Civil, GNR ou Exército.

O fogo começou nos Escalos Fundeiros, no norte do distrito, e já obrigou ao corte do Itinerário Complementar 8, bastante a sul daquela ignição.

A ausência de eletricidade e de comunicações está a preocupar a população, que, contactada pela Lusa, vê o vento forte a tornar-se adversário no combate às chamas.

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