Pedrogão Grande

"Um ponto verde na área ardida" que desespera por Internet e sem clientes

Um mês depois, há um turismo rural de Pedrógão Grande (quase) vazio. Tinha o verão já cheio mas, até hoje, apenas uma reserva não foi cancelada.

O turismo rural Casais do Termo, em Carreira, Pedrógão Grande, tem um slogan: "Um ponto verde no coração da área ardida". No entanto, nem assim, e apesar da onda de solidariedade, tem conseguido captar clientes e manter as reservas cheias como estavam antes do fogo.

Pelo contrário, Domingos Luís explica que teve e continua a ter uma onda de cancelamentos. As reservas cheias para julho e agosto ficaram de repente vazias desde 17 de junho, data do grande incêndio que matou 64 pessoas e queimou quase 50 mil hectares. Desde aí, só uma reserva se manteve: um casal com uma senhora italiana e um senhor espanhol, com um filho de 17 meses, que estão ali alojados durante duas semanas.

Os terrenos limpos e sem eucaliptos salvaram o turismo rural de Domingos Luís e da mulher das chamas, mas tudo à volta foi negro e assim, por muita solidariedade que exista, dificilmente alguém quer ir para ali de férias. Mas há pior: "Mesmo se agora, com tanta solidariedade, tivesse uma vaga de reservas... não tinha como as gerir pois ainda não tenho telefone fixo e, sobretudo, Internet".

Domingos recorda que "para um turismo rural estar sem net é como estar às escuras pois quase todas as reservas vêm por aí e é preciso geri-las para não ter mais pessoas do que quartos.

Aliás, mesmo sem clientes, o último mês foi de muito trabalho para este homem de 65 anos que constantemente tem de pegar no carro e ir à vila mais próxima (que ainda fica longe...) sentar-se num café ou à casa de algum amigo para ter acesso à Internet e comunicar com os potências clientes que vão pedindo informações mesmo que depois cancelem as reservas que fizeram ou não avancem para qualquer marcação.

Domingos Luís já falou várias vezes com a MEO mas até agora foi impossível reinstalarem-lhe a Internet e telefone fixo no turismo rural.

As contas ainda não estão fechadas, mas só em marcações canceladas este pequeno empresário já teve de devolver 1.700 euros a clientes que desistiram de passar ali uns dias, prevendo-se que até ao final do verão o prejuízo total seja de, pelo menos, 4 mil euros.

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