Uma em cada cinco crianças institucionalizadas em 2016 estava em perigo de vida

Leonardo Negrão/Global Imagens
Das 2.396 crianças e jovens entradas no sistema de acolhimento em 2016, 485 exigiram um "procedimento de urgência", mais 2,3% face ao ano anterior.
Uma em cada cinco crianças que entraram no sistema de acolhimento em 2016 exigiu "proteção imediata", por a sua vida estar em perigo, segundo um relatório do Instituto da Segurança Social (ISS) tornado publico esta sexta-feira.
Das 2.396 crianças e jovens entradas no sistema de acolhimento em 2016, 485 (20,2%) exigiram um "procedimento de urgência", mais 2,3% face ao ano anterior, revela o Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens CASA 2016.
O procedimento de urgência, que ocorre "quando exista perigo atual ou iminente para a vida ou de grave comprometimento da integridade física ou psíquica da criança ou jovem", deverá "obrigar todos os interventores a atenções reforçadas" devido ao impacto que pode ter na vida das crianças e jovens.
"Uma incorreta atuação poderá causar danos psicológicos, pelo que o procedimento deverá ser o menos lesivo possível, executado por profissionais e estruturas devidamente habilitadas e sensibilizadas para a situação de crise vivida pela criança e jovem", defende o relatório.
Destas 485 crianças, 178 estavam ao cuidado da família nuclear, disse uma técnica do ISS num encontro com jornalistas no Ministério da Segurança Social.
Sobre os motivos que levaram à sua retirada, a técnica adiantou que são "situações limites", como abuso sexual, violação, agressões, que exigem uma intervenção "a qualquer hora do dia ou da noite".
A medida mais aplicada antes do procedimento de urgência foi o apoio junto dos pais (77%), e as menos aplicadas o apoio junto de outro familiar (21,2%) e de confiança a pessoa idónea (1,8%).
Relativamente aos motivos que originaram a abertura dos processos de promoção e proteção às crianças, o documento refere as diversas formas de negligência (72%), os maus-tratos psicológicos (8,5%), os maus-tratos físicos (3,4%) e os abusos sexuais (2,8%).
Outro destaque do documento vai para o aumento da definição dos projetos de vida das crianças e jovens, situando-se nos 90,6%. O principal projeto de vida definido foi a "autonomização" (36,3%), seguido da reintegração na família (36%) e da adoção (11,2%).
Segundo o CASA, das 48 crianças adotadas, 19 reentraram no sistema em 2016, voltando a ser vítimas de situações de perigo na família adotiva.
Também 34 crianças integradas no seio de famílias candidatas à sua adoção tiveram que reentrar no sistema durante o período de pré-adoção.