Incêndios

Mais de 70 incêndios em três horas. Reacedimentos dificultam combate às chamas

Distritos de Coimbra, Santarém e Aveiro merecem maiores preocupações. Todos os meios de reforço estão no terreno e mantém-se o nível de alerta laranja para todos os distritos.

As atenções da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) estão este sábado centradas nos distritos de Coimbra, Santarém e Aveiro onde se registaram reativações em incêndios que, durante a manhã, chegaram a ser dados como controlados.

Segundo o balanço feito pela Proteção Civil, às 19h00, as condições meteorológicas verificadas no terreno têm sido um dos principais problemas no combate às chamas, em particular nos incêndios da Mealhada, Cantanhede, Alvaiázere e Ferreira do Zêzere.

Mais de 70 incêndios deflagraram apenas em três horas durante a tarde em vários locais do norte e centro do país. A adjunta nacional de operações, Patrícia Gaspar, explicou que a tarde de hoje está a dar "muito trabalho" e que às 18h30 foi ativado o Plano de Emergência Distrital de Coimbra, onde também foram ativados os planos municipais de emergência de Miranda do Corvo, Cantanhede e Coimbra.

Depois de uma manhã mais tranquila, a responsável disse que na tarde de sábado surgiram 25 incêndios entre as 15h00 e as 16h00, outros 25 entre as 16h00 e as 17h:00, e mais 23 entre as 17h00 e as 18h00.

Às 19h00 estavam ativos 31 incêndios florestais, mas contabilizando os em fase de conclusão havia 108 ocorrências, admitindo Patrícia Gaspar que o dia de hoje possa bater o de sexta-feira, com 220 ocorrências e que foi o dia do ano com mais incêndios.

Com novos incêndios e vários reacendimentos (Mealhada, Cantanhede, Alvaiázere e Ferreira do Zêzere), Patrícia Gaspar disse que há aldeias e pequenos povoados em vias de ser evacuados, havendo evacuações em curso nomeadamente no concelho de Tomar.

A responsável não deu conta de casas que tenham ardido, mas falou de algumas em perigo nas zonas de Santarém, Ferreira do Zêzere e Cantanhede.

O sistema de comunicações de emergência, o SIRESP, registou "falhas pontuais", mas sem afetar as operações, disse.

Todos os meios de reforço estão no terreno "para conseguir responder e apoiar todas estas situações", adiantou a adjunta de operações Patrícia Gaspar, lembrando que se mantém o alerta laranja para todos os distritos.

Reacendimentos dificultam trabalho dos bombeiros

O fogo que começou na sexta-feira em Alvaiázere, distrito de Leiria, e que tinha sido dado como dominado durante a manhã de sábado reativou e obrigou ao corte da A13, afirmou a presidente da Câmara Municipal, Célia Marques.

O incêndio "está a propagar com grande velocidade", indo em direção ao concelho vizinho de Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, disse à agência Lusa Célia Marques, sublinhando que as pessoas da localidade do Beco, em Ferreira do Zêzere, foram retiradas para uma localidade de Alvaiázere.

"A nossa preocupação é que o fogo, face ao vento, inverta a direção e regresse para a zona de Cabaços, como aconteceu há cerca de dez anos", explicou a autarca, sublinhando que estão a ser criados aceiros para garantir que as chamas não transitam "para esse lado".

De acordo com Célia Marques, o incêndio obrigou ao corte da autoestrada número 13 (A13), havendo "muito fumo" naquela via e há uma "zona a arder" junto ao nó de Cabaços.

A GNR de Santarém confirmou à agência Lusa que a A13 está cortada nos dois sentidos, entre Pias (Ferreira do Zêzere) e Alvaiázere.

O incêndio de Ferreira do Zêzere, distrito de Santarém, que tinha sido dado como dominado, também reativou durante a tarde.

"O fogo já entrou na localidade de Beco e está a ir em direção a Dornes. Está medonho", disse à agência Lusa o presidente do município, Jacinto Lopes, referindo que "há casas em risco".

De acordo com o autarca, as chamas estão "a aumentar de intensidade" e lavram de forma descontrolada, considerando que "vai ser muito complicado" combater o fogo.

"Só agora é que vamos ter meio aéreo", notou Jacinto Lopes, referindo que, por o céu estar "muito negro", poderá ser difícil para o meio aéreo operar.

O fogo no concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, que deflagrou ao início da tarde de sexta-feira, reativou sábado à tarde com uma frente "muito rápida e forte" com uma extensão de cinco a seis quilómetros, disse à agência Lusa Patrícia Gaspar.

Patrícia Gaspar referiu que existem várias povoações na zona desta reativação, precisando que no terreno estão 303 operacionais, 90 veículos e quatro meios aéreos.

A adjunta nacional confirmou ainda o corte da A14 - Autoestrada do Baixo Mondego, nos dois sentidos, ao quilómetro 32.

Também o incêndio que deflagrou na quinta-feira na Mealhada, distrito de Aveiro, e que foi dominado durante a noite, reativou este sábado, às 16h53 e está "a arder com muita intensidade", segundo a Proteção Civil, entre Igreja Velha e Pisão, localidades da freguesia de Barcouço. Um lar de idosos teve de ser evacuado.

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