
João Araújo, advogado de José Sócrates
Miguel A. Lopes/Lusa
João Araújo disse, à saída do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, em Lisboa, que a cópia digital dos autos da investigação da "Operação Marquês" ainda não está concluída e fala em expedientes de mau gosto.
O advogado do ex-primeiro-ministro José Sócrates deslocou-se esta manhã ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) mas acabou por sair, 15 minutos depois, sem conseguir a cópia dos autos do processo.
O DCIAP alegou dificuldades na conclusão do processo de digitalização que impediram o acesso da defesa de José Socrátes aos documentos, tal como estava acertado.
João Araújo fala de mais um episódio que torna insuportável o trabalho a realizar e sublinhou que os documentos já deviam estar digitalizados desde quinta-feira.
"Não houve dificuldade técnica nenhuma para prender, não houve dificuldade técnica nenhuma para submeter José Sócrates a estas tropelias, mas há dificuldades para digitalizar uma coisa que já devia estar digitalizada, na verdade, desde quinta-feira, disse". O advogado acrescentou que vai voltar pelas 14:00 ao DCIAP.
Na quinta-feira, o Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) indeferiu o requerimento do Ministério Público (MP) que pedia a nulidade do acórdão que permitia à defesa de José Sócrates ter acesso aos autos da investigação.
A 24 de setembro, a Relação de Lisboa tinha decidido que não se justificava a continuação do segredo de justiça (interno) na "Operação Marquês", pelo que a defesa de José Sócrates deveria ter acesso a todos os autos da investigação. O acórdão foi assinado pelos juízes desembargadores Rui Rangel (relator) e Francisco Caramelo, os mesmos que decidiram indeferir o requerimento do MP.
José Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito, tendo ficado preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora.