Saúde

Governo nega intenção de restringir acesso a Urgências do Porto e Braga

O ministro da Saúde acusa PSD de pedir audições de urgência com base em informação descontextualizada ou por causa de "três linhas de jornais".

Adalberto Campos Fernandes

O ministro da Saúde nega que haja serviços de urgência que vão recusar doentes que não lhes cheguem através do INEM ou da linha de saúde 24.

A ser ouvido esta tarde na Comissão Parlamentar de Saúde, Adalberto Campos Fernandes respondeu às acusações do PSD de que o projeto-piloto que vai iniciar no Porto e Braga em abril iriam impedir o acesso dos doentes às Urgências.

O ministro acusa social-democratas de pedir audições de urgência com base em informação descontextualizada ou por causa de "três linhas de jornais".

Adalberto Campos Fernandes explica que projeto-piloto vai envolver várias unidades de saúde nos distritos do Porto e Braga que vão ser equipadas com imagiologia, análises clínicas, saúde oral, psicologia e diversos equipamentos que lhes permitam dar uma resposta de "quarta geração" aos doentes que os procurarem.

O PSD tinha requerido a audição do ministro da Saúde a propósito de uma notícia de um jornal que indicava que estaria em marcha um projeto-piloto em Braga e no Porto que previa que os doentes não pudessem ir à urgência sem ser através dos bombeiros, do INEM ou da Linha Saúde 24. O ministro negou um projeto neste sentido, vincando que "não caberia na cabeça de nenhum governante" impedir o acesso à urgência.

O projeto-piloto de prestação de cuidados integrados vai ser desenvolvido nos distritos de Braga e Porto a partir de abril, porque a região norte é a que tem melhor rácio de médicos de família, e foi criado com base no trabalho de um grupo de estudo liderado por Constantino Sakellarides.

Num outro ponto, o PSD afirmou hoje que num ano houve menos 2,5 milhões de consultas nos cuidados primários de saúde, embora os dados do Ministério da Saúde apontem para um ligeiro aumento entre 2015 e 2016.

Em resposta, Adalberto Campos Fernandes remeteu para os dados oficiais do Ministério. De acordo com esses números, em 2015 houve um total de 28,7 milhões de consultas enquanto em 2016 ter-se-ão registado 29,1 milhões de consultas, segundo dados que são ainda estimativas.

O PSD acusou ainda o Governo de "um falhanço" no objetivo de reduzir os episódios de urgências hospitalares, indicando que houve mais 200 mil atendimentos num ano. O ministro reconheceu que houve um aumento de urgências em 2016, mas indicou que em janeiro deste ano deu-se já uma redução de três por cento de episódios em relação a janeiro do ano anterior.

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