Sociedade

Primeiro TeleTrauma da Europa é no CHUC

Este sistema permite assistir mais rapidamente vítimas de trauma físico e psicológico a partir do cenário do acidente ou de outro hospital menos qualificado.

Está lançado o primeiro sistema de TeleTrauma da Europa. O CHUC - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, com a assinatura de parceria com o Centro de Trauma da Universidade de Miami, nos EUA, garante a assistência à distância a vítimas de acidentes rodoviários e de cenários de catástrofe, quer nacionais, quer internacionais.

Os profissionais estão em formação desde novembro do ano passado, e o Teletrauma vai, para já, envolver um conjunto de hospitais do centro do país. Já existem com hospitais e centros hospitalares, como Cova da Beira, Castelo Branco, Guarda, Tondela-Viseu, Baixo Vouga, Leiria e Figueira da Foz. Será coordenado por Eduardo Castela, médico especialista em Telemedicina.

O TeleTrauma, que vem reforçar a experiência de 16 anos que o CHUC possui em telemedicina, vai permitir socorrer de forma mais rápida as vítimas de trauma físico e psicológico, quer a partir do cenário do acidente, quer de outro hospital menos qualificado para a assistência. "Sai a ganhar o SNS, porque os doentes podem e passam a ser mais adequadamente tratados, aumentando a coesão territorial regional e nacional, porque é sempre um problema ter um acidente ou um trauma numa zona distante de um grande centro", explica Martins Nunes, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Espera-se com o TeleTrauma, reduzir a mortalidade em zonas remotas, diminuir os tempos de intervenção e as distâncias.

A aprendizagem está a ser adquirida com o Centro de Traumas de Miami. "A aprendizagem é muito importante para nós, nesta fase. Trata-se de um dos centros do mundo com maior experiência em evacuação e tratamento de traumas à distância", garante.

No fundo, com o TeleTrauma saem a ganhar os pacientes, mas também os profissionais de saúde dos hospitais com menos médicos especialistas. Manuel Delgado, secretário de Estado da Saúde, garante que o CHUC deu um passo para a integração dos cuidados de saúde, que o governo tanto deseja. "Muitas vezes o erro dos sistemas de saúde está na separação quase total da medicina familiar e os hospitais. Quem circula é o doente e não a comunicação e a troca de opinião entre profissionais".

Um facto que tem vindo a ser combatido com a Telemedicina e que vai diminuir mais com o TeleTrauma. "O doente deixa de ser a bola de pingue-pongue e tem a vantagem de antecipar a gravidade da situação e permite a quem está no local tomar decisões clínicas rápidas que, às vezes, salvam vidas", assegura.

Para apoiar na implementação do TeleTrauma, o CHUC associou as Forças Armadas, pela experiência que possuem com trauma militar.

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra é um centro de trauma de nível 1 e passa a ser o primeiro do país e da Europa a ter a valência de TeleTrauma.

De Miami, em representação do Centro de Trauma, veio o brasileiro, com descendência portuguesa, António Marttos, que espera ver criado em Portugal "um sistema de Telemedicina português, que se estenda aos territórios do mundo onde Portugal tem influência".

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