Sociedade

Programa piloto de saúde oral em Fátima atrai centenas de pessoas

Centro de Saúde de Fátima já possibilitou consultas a 500 utentes e tem outros tantos em lista de espera. Em média, esperam cinco meses pela primeira consulta.

É a última consulta de Ilda Silva, no Centro de Saúde de Fátima, depois de muitos anos a evitar a cadeira do dentista. Foi "adiando, adiando, adiando", até chegar ao ponto de "arrancar tudo". Desta vez, a coragem venceu o medo. E o programa de saúde oral no setor público resolveu a questão financeira. "Estou divorciada, fiquei com dois filhos e não havia dinheiro para os tratamentos. E eu fui ficando para trás", explica.

Depois de quatro sessões, a utente está pronta para a próxima etapa, diz a médica dentista Maria João Tomé. Que passa pelo setor privado. "A Dona Ilda é uma paciente diferente, porque já nos chegou aqui com uma situação que nós não podíamos avançar muito. Tinha vários dentes para extrair, porque já não tinham grande viabilidade para se manter em boca. Esta é a nossa última consulta e agora a Dona Ilda vai continuar o serviço no privado, vai fazer umas próteses para ficar aqui com um sorriso bonito".

Também para Elvira Duarte, 78 anos, o tratamento chegou ao fim, e com êxito. "Tinha que comer muito devagarinho, mastigar muito bem", mas agora "está tudo bem".

Os utentes chegam encaminhados pelo médico de família e quase todos estavam excluídos do acesso à saúde oral. A procura tem sido grande, o que faz do projeto um sucesso, até à data.

Segundo Maria João Tomé, "na grande maioria ou deixaram de ir a consultas no privado por falta de possibilidades económicas, ou são pacientes que nunca foram, nas faixas etárias mais avançadas, ou [são] pacientes em idades mais pequeninas que aproveitam o sistema para dar o tratamento, por exemplo, nos dentes de leite, que não está abrangido pelos cheques-dentista.

Duzentas pessoas já passaram pela consulta de saúde oral no centro de saúde de Fátima e outras 300 estão em tratamento. Há 500 utentes em lista de espera. Em média, são chamados ao fim de cinco meses, mas os casos mais urgentes têm prioridade.

  COMENTÁRIOS