Sociedade

Risco de cancro: 3,5 milhões de portugueses comem mais carne do que deviam

Inquérito Nacional de Alimentação, que não se fazia há 35 anos, revela que maioria dos portugueses falha, completamente, os conselhos da famosa Roda dos Alimentos. Conheça os maiores erros.

Os portugueses comem, em média, o triplo da carne, peixe e ovos que deviam; e ingerem menos de metade dos vegetais e fruta recomendados pela Roda dos Alimentos. Além disso, 57% são obesos ou têm pré-obesidade e apenas 42% têm uma prática regular de atividade física.

A conclusão é do Inquérito Nacional de Alimentação e Atividade Física, um estudo que não se fazia em Portugal há 35 anos e que agora vai servir para avaliar melhor o estado de saúde dos portugueses e os seus problemas alimentares.

À esquerda, a Roda dos Alimentos pelas proporções recomendadas pela Organização Mundial de Saúde. À direita, aquilo que os portugueses, em média, realmente comem

Os resultados revelam que 21% dos alimentos que os portugueses comem não estão sequer incluídos na Roda dos Alimentos.

Carla Lopes, coordenadora do trabalho, explica que estamos a falar de produtos que não fariam falta ao nosso corpo e, pelo contrário, até o podem prejudicar: por exemplo, cereais, doces, bolachas açucaradas, snacks salgados ou pizzas, para além de uma grande prevalência no consumo de refrigerantes sobretudo em crianças e adolescentes.

No capítulo "carne, peixe e ovos", a carne é o produto que claramente está mais exagerado na dieta dos portugueses.

O inquérito nacional diz, aliás, que mais de 3,5 milhões de portugueses (34% da população) consome mais de 100 gramas de carne por dia, um valor que segundo a Agência Internacional de Investigação do Cancro da Organização Mundial de Saúde aumenta o risco de cancro do cólon.

Passando para a atividade física, o estudo revela que 42% dos portugueses têm uma prática regular, algo que, segundo Carla Lopes, é um resultado baixo.

Mais de metade são obesos e têm 'barriga'

Segundo a professora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, uma má alimentação associada à falta de exercício acaba por resultar nos dados a que chegaram sobre a obesidade.

Juntando os dois gráficos, 57% dos portugueses são obesos ou têm pré-obesidade

Perto de 22% dos portugueses são obesos e 35% têm pré-obesidade, números que são maiores à medida que aumenta a idade o que, segundo Carla Lopes, dá, em conjunto, perto de 6 milhões de pessoas.

Quanto à 'famosa' barriga, este inquérito nacional, que vai ser usado nas estatísticas oficiais sobre o estado de saúde dos portugueses, revela que 50,5% sofrem do problema. Ou seja, mais de metade dos portugueses tem obesidade abdominal, um indicador clássico de risco para as doenças cardiovasculares e que atinge mais os homens (62%) do que as mulheres (39,2%).

Há 35 anos que não se fazia em Portugal um estudo deste tipo. O Inquérito Nacional de Alimentação e Atividade Física é apresentado esta quinta-feira na Universidade do Porto e resulta de entrevistas e análises biométricas a 6553 indivíduos dos 0 aos 84 anos de idade, numa amostra representativa da população.

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