Sociedade

Vem o doente, mas não vem dinheiro

Há um ano que o utente pode optar pelo hospital onde quer ter consulta de especialidade. No Hospital de Gaia, as consultas aumentaram três por cento, mas o orçamento é o mesmo.

Há um ano acabaram as áreas de referência no Serviço Nacional de Saúde. O utente pode optar pelo hospital onde quer ter consulta de especialidade, em qualquer ponto do país. No caso do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho resultou num aumento de três por cento do número de consultas realizadas e também num aumento dos tempos de espera em algumas especialidades. A tudo isto, junta-se o mesmo número de técnicos e um orçamento que não teve em conta estas mudanças. Ou seja, "vem o doente, mas o dinheiro não vem com ele", refere o diretor clínico desta unidade hospitalar, José Moreira da Silva.

Numa volta pelo hospital, a TSF constatou salas de espera com poucas cadeiras vazias e muitos utentes espalhados pelos corredores. Sucedem-se as consultas. Na especialidade de Cirurgia Vascular, Alexandra Canedo, diretora do serviço, recebe muitos doentes que há um ano não tinham lugar aqui, vindos de vários concelhos do país, como Vila real ou Viana do castelo.

Neste serviço do Centro Hospital de Gaia/Espinho, as consultas aumentaram cinco por cento. A diferença, assim que mudou a lei, foi imediata. "Uma semana depois já estávamos a receber pedidos", refere Alexandra Canedo. O tempo de espera para primeira consulta não ultrapassa um mês, mas nos casos urgentes é de uma semana.

Com prevalência elevada na população portuguesa, a patologia vascular exige uma abordagem específica. Alexandra Canedo entende, por isso, que muitos médicos de família encaminhem os seus doentes para um serviço especializado.

Na sala de espera de Endocrinologia, o ambiente parece mais calmo, mas não significa que o movimento não tenha aumentado. Também neste serviço, a mudança na lei causou impacto, mais quase quatro por cento cento de consultas. Tiroide em primeiro lugar, diabetes em segundo, são as doenças que prevalecem nos doentes que vêm de todos os pontos do país, desde a Guarda até Lisboa.

José Moreira da Silva é diretor clínico do Hospital de Gaia. Também ele regista uma nova realidade, com efeitos imediatos. A lei mudou e não tardaram a aumentar os pedidos de primeira consulta em várias especialidades. O tempo de espera também se ressente do aumento da procura, mas o impacto que mexe mais com a rotina do hospital prende-se com outra questão. É que, como avisa o diretor clínico do Hospital de Gaia, José Moreira da Silva, o doente deslocado não vem acompanhado de mais financiamento.

A liberdade de escolha que permite aos utentes escolher o hospital onde querem ser consultados contribuiu, no caso do Hospital de Gaia, para um aumento de três por cento de consultas realizadas.

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