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Manoel de Oliveira faz hoje 104 anos

Manoel de Oliveira apaga hoje 104 velas. O mais antigo realizador de cinema em atividade é conhecido por ser um homem centrado no presente e já está a pensar em novos filmes.

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Manoel de Oliveira nasceu a 11 de dezembro de 1908, no tempo em que o cinema ainda era mudo. O realizador, que tem como imagem de marca o chapéu e a bengala, vai celebrar o aniversário em casa de forma tranquila, acompanhado de familiares, como sempre acontece.

Em julho Manoel de Oliveira esteve uma semana internado no hospital e neste momento encontra-se «estável», explica à TSF Ricardo Trêpa, que fala do avô com grande admiração.

«Não desiste da coisa mais importante que nós temos que é a nossa vida, ele continua a querer viver, a querer filmar», afirma o ator.

Ricardo Trêpa diz que o realizador tem planos para colocar em prática, em especial um filme que espera por verbas para ser concretizado, numa altura «em que o cinema português vive muitíssimas dificuldades».

Também o produtor Luís Urbano revela à TSF que Manoel de Oliveira tem dois projetos em fase de captação de financiamento.

Um chama-se "O Velho do Restelo", que se inspira em textos de Camões, Teixeira de Pascoaes e Cervantes, e o outro "A igreja do diabo", a partir de contos de Machado Assis.

O neto e ator Ricardo Trepa conta uma história que ilustra bem que Manoel de Oliveira não tem tempo a perder. Um dia em que estavam atrasados, o avô «conduzia desenfreado pela cidade fora». Depois de «várias tropelias parou num sinal vermelho» e um rapaz, num carro ao lado, abriu a janela e perguntou-lhe: «Ouça lá, o senhor não acha que já tem idade para ter juízo? Ele olhou de lado e arrancou com o pé no acelerador».

O realizador costuma dizer que é a Sétima Arte que o mantém vivo, que é uma forma de existir e os amigos afirmam que ele respira cinema. Cada filme é como se fosse o primeiro. Este ano ficou marcado pela estreia da curta-metragem "O conquistador conquistado", rodado em maio em Guimarães, a convite da Capital Europeia da Cultura 2012, e da longa metragem "O gebo e a sombra".

A assistente de realização, de cena e atriz Júlia Buisel, que trabalha com o realizador há mais de 30 anos, diz que a grande motivação de Manoel Oliveira é o cinema e «não ficar em casa de chinelos e a ver televisão».

Luísa Buisel, que vai lançar esta quarta-feira um livro sobre os bastidores do cinema e do teatro, onde também fala da rodagem de alguns filmes de Manoel Oliveira, diz que o cineasta mais do que olhar para o futuro, faz parte dele: «Ele já ultrapassou o futuro, porque o futuro é a obra toda que ele já fez. Ele tem sempre projetos para o presente, o futuro já ele tem garantido».

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