Literatura

Prémio Saramago surpreende Andréa del Fuego

A vencedora do Prémio Saramago, com o romance 'Os Malaquias', disse que «nem tomando um ácido ia pensar que ganharia» o galardão.

A escritora brasileira falava, esta terça-feira, na cerimónia de anúncio do vencedor do Prémio José Saramago, na sede do grupo Círculo/Bertrand, a que assistiu o secretário de Estado da Cultura.

«É uma história real que de facto aconteceu», a queda de um raio fulminou os bisavós da escritora, em Mina Gerais, e os filhos foram separados, «cada um para seu lado».

A escritora advertiu, porém, que «não se trata de uma biografia, mas antes inventar um memória».

Andréa del Fuego disse ainda que o ponto de partida do romance, que levou sete anos a escrever, foi «inventar o que aconteceu», sublinhando que José Luís Peixoto, também distinguido com o Prémio Saramago, lhe deu «uma ajuda numa solução a dado passo do romance» quando estiveram no encontro de escritores de Paraty.

Durante os sete anos de escrita, a autora pensou muitas vezes em desistir, «nomeadamente quando iam morrendo parentes que estavam no livro e achava uma coisa um pouco mórbida trabalhar com aquilo», e também quando sentia muito viva uma memória afectiva.

Já com um novo romance, Andréa del Fuego disse que o vai agora «pensar melhor» e reconheceu «o peso que é ter recebido o Prémio Saramago».

Aos jornalistas, a escritora afirmou ainda que vir a Lisboa pela primeira vez foi «o regressar ao útero da língua» portuguesa e quando ouviu hoje um fado em Alfama, afirmou ter reconhecido o que disse ser melancolia.

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