Sociedade

"É cultural." Portugueses não querem pagar por notícias online

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O relatório do Observatório de Ciberjornalismo revela ainda que os meios de comunicação social não estão a aproveitar todas as vantagens que a internet oferece ao jornalismo

Os portugueses não estão dispostos a pagar para ter acesso a conteúdos premium nas páginas online dos órgãos de comunicação social. Por outro lado, os meios de comunicação social não estão a aproveitar todas as vantagens que a internet oferece ao jornalismo digital na conquista de mais públicos, revela o relatório do Observatório de Ciberjornalismo (ObCiber 2025), divulgado esta quarta-feira.

Catarina Meireles, autora do estudo, diz que ficou surpreendida por serem poucas as empresas jornalísticas que aproveitam os meios digitais para diversificar as fontes de receitas e a distribuição de conteúdos.

“A maior parte dos cibermeios continuam bastante dependentes da publicidade digital e há mesmo muito pouco cibermeios que têm, por exemplo, conteúdo premium, ou seja, uma subscrição mensal para acesso a mais conteúdo mensal ou anual", afirma, sublinhando que só um dos dez canais televisivos analisados para o estudo é que usa esta opção de conteúdo premium.

Nas rádios, também só uma é que tem conteúdo premium. Catarina Meireles refere que poucos cibermeios têm aplicações móveis: "Por exemplo, nas rádios, de 102 só 22 é que é que utilizam."

O estudo mostra a relutância dos portugueses em pagar por informação. Ainda assim, Portugal é um dos países europeus que mais confia no jornalismo, segundo o Digital News Report 2024 da Reuters Institute. 

"Vi no relatório que há uma percentagem algo relevante de pessoas que estavam dispostas a pagar, mas que acabam por não pagar por acharem que não vale a pena, tendo em conta a qualidade da informação."

Questionada como se explica este nível de confiança com a falta de disposição de pagar para ter acesso à informação, Catarina Meireles responde: "Acho que é cultural."

"Há bastante tempo que temos jornalismo de qualidade que está disponível para toda a gente, não só dos canais televisivos públicos, nem das rádios públicas, mas também dos privados. Mesmo a nível de ciberjornalismo é também cultural. Quando o ciberjornalismo surgiu era gratuito e penso que essa alteração para uma subscrição também pode ser algo que, se calhar, as pessoas estão mais céticas”, justifica.

O relatório do Observatório de Ciberjornalismo, apresentado esta quarta-feira, revela ainda que há uma grande dependência das redes sociais e aponta para a falta de diversificação da distribuição de conteúdos e elevada dependência na publicidade digital. 

Inês Cortez