Música

Pavarotti esta noite em Faro

«O» tenor sobe esta noite ao palco do Estádio São Luís em Faro. Luciano Pavarotti vai actuar durante duas horas e percorrer vários autores - Mozart, Verdi, Puccini, Leoncavallo e Mascagni, entre outros. De fora ficou o dueto anunciado com Nuno Guerreiro.

Faro vai estremecer esta noite com a interpretação de Luciano Pavarotti no Estádio de São Luís. Uma actuação de cerca de duas horas, repartidas por seis árias, outras tantas canções e peças e três duetos com a soprano Carmela Remiggio.

Um outro dueto anunciado, com o vocalista da Ala dos Namorados, Nuno Guerreiro, na interpretação de «Amapola», acabou por ser cancelado por desentendimentos entre os produtores dos dois artistas.

O presidente da Região de Turismo do Algarve, (uma das entidades promotoras da iniciativa), Paulo Neves, lamentou o cancelamento da participação de Nuno Guerreiro no espectáculo, mais ainda «porque se trata de um artista algarvio, que iria actuar num espectáculo que visa a promoção do Algarve».

Polémicas à parte, Pavarotti sobe esta noite ao palco algarvio, para interpretar obras de Mozart, Verdi, Puccini, Leoncavallo e Mascagni, entre outros, acompanhado por uma orquestra dirigida pelo maestro Leone Magiera.

Nasceu em Modena, Itália. Uma cidade de cultos que viu nascer não só o maior ternor do mundo, como os mitos de quatro rodas Ferrari e Maseratti. Mas Pavarotti não nasceu em berço dourado. O seu pai era padeiro. A mãe, operária numa fábrica de tabaco.

Como muitos meninos, Luciano tinha sonhos. Primeiro quis ser professor. Aos 19 anos já o tinha conseguido. Dava aulas na escola primária e ganhava oito dólares por mês. Por esta altura, o Coro Masculino de Modena, onde Pavarotti cantava, ganhou um concurso internacional. Decidiu então prosseguir uma carreira de música. A tempo inteiro.

Em 1955, Luciano Pavarotti começa os seus estudos de canto com Arrigo Polo. Muda-se depois para Mântua, para ter aulas com o professor Ettore Campogalliani.

O ano de 1961 marca o início do reconhecimento da sua carreira como cantor: ganhou o Concurso Internacional de Ópera onde, pela primeira vez, executou profissionalmente uma ópera completa. A 29 de Abril, a derradeira viragem que o tenor continua a recordar: a interpretação de Rodolfo na ópera «La Bohéme», de Verdi, no teatro Municipal de Reggio Emilia – que cantou mais de 300 vezes ao longo da sua carreira.

As suas primeiras apresentações internacionais acontecem dois anos mais tarde e levam-no até Amsterdão, Viena, Zurique e Londres. Em 1965 estreia-se nos Estados Unidos, ao lado da soprano Joan Sutherland numa produção de Lucia de Lammermoor. Esta obra marcou o início do que seria a sua história conjunta. As interpretações de Pavarotti e Sutherland de «La Bohéme» no La Scala, em São Francisco e Nova Iorque, conquistaram centenas de admiradores em todo o globo.

Otelo foi o papel mais importante e difícil que interpretou. «A Tosca», «Elixir do Amor» e «Baile de Máscaras» são as suas óperas preferidas.

A sua facilidade em cantar as partes «altas» das músicas é impressionante, mas os críticos dizem que Pavarotti já não tem o «brilho» que tinha há uns anos atrás.

São famosos os espectáculos que fez com os amigos José Carreras e Plácido Domingo. «Os Três Tenores» percorreram o mundo e ficaram na memória os seus espectáculos de Roma (1991) e Los Angeles (1994).

A sua iniciativa de solidariedade «Pavarotti and Friends» junta, há alguns anos, amigos das crianças na sua cidade natal. Este ano, o resultado apurado na gala em que participaram os Skunk Anansie, George Michael, Caetano Veloso, Enrique Iglesias e os Aqua seguiu para as crianças do Tibete.