Jogos Olímpicos

Rui Silva afastado da final dos 1.500 metros

Rui Silva registou hoje em Sidney um dos mais surpreendentes insucessos da sua carreira. Sem capacidade de reacção, não respondeu às acelerações na sua série de 1.500 metros, ficando num dos últimos lugares e arredado da final.

Vítima de uma virose recentemente, que poderá ter tido influência no seu rendimento, Rui Silva não cumpriu o objectivo a que se propunha: a qualificação para a final na sua estreia olímpica.

Com o tempo de 3.41,93 minutos, uma marca 11,05 segundos mais lenta que o seu recorde de Portugal (3.30,88), Rui Silva não conseguiu um bom resultado na série dos 1500 metros.

No conjunto das três séries, o português fez apenas o 32º tempo.

Uma das suas melhores «armas», justamente à facilidade com que reage a mudanças de andamento, falhou e o português viu quase toda a gente passar à sua frente, quando a prova acelerou para os últimos 300 metros.

Na série foi 13/o - 32/o no conjunto das três corridas - com o muito fraco tempo de 3.41,93. Para trás apenas deixou um competidor, o mauritano Sidi Bidjel, que até fez recorde pessoal.

«Não consigo explicar», repetiu várias vezes o atleta no final, sem tentar sequer esconder o desgosto pela muito má classificação.

«Não consegui reagir na parte final, não me senti bem. Estava algo 'preso' e cansado, mas não sei porquê. Não consigo explicar».

«Não sei o que é que se anda a passar comigo. Acho ainda mais estranho se pensar que estava a fazer bons testes», referiu, aludindo aos 1.45,8 feitos em teste (treino com lebre) recentemente.

O discurso de Rui Silva varia pouco, revelando o assombro do atleta, que nunca acreditaria poder correr tão mal nos Jogos Olímpicos: «Não sei o que pensar, nem o que dizer. Desilusão, uma grande desilusão, é o que sinto. Não sei...».

Uma das metas possíveis para Rui Silva era a de ser o melhor europeu. Totalmente perdida, talvez para os espanhóis, que colocaram Andres Diaz e Jose Antonio Redolat nos cinco primeiros apurados, «intrometidos» no meio do marroquino El Guerrouj, do argelino Morceli e do queniano Ngeny.