Etiópia/Eritreia

Acordo de Argel sela a paz, não a reconciliação

A Etiópia e a Eritreia assinam hoje um acordo de paz global, que culmina mais de seis meses de ausência total de combates, depois de dois anos de guerra. No entanto, a reconciliação entre os dois «irmãos inimigos» está ainda longe.

A Etiópia e a Eritreia assinam hoje em Argel um acordo de paz global, que culmina mais de seis meses de ausência total de combates. Após mais de dois anos de guerra, a reconciliação entre os dois países está ainda longe de ser alcançada.

Esta é pelo menos a opinião do primeiro-ministro etíope, Meles Zénawi, que estará presente em Argel, ao lado do chefe de Estado eritreu, Isaias Afewerki, que lembrou recentemente que o acordo de paz «não rima com reconciliação».

Os dois governantes são qualificados já pelos observadores como os «irmãos inimigos» do Corno da África, numa alusão aos dois movimentos rebeldes a que pertenceram e que combateram, conjuntamente, pelo fim do regime do coronel Mengistu Haile Mariam, em 1991.

Após uma convivência que se seguiu à conquista do poder, Meles Zénawi e Isaias Afewerki, caminharam também no sentido de conceder a independência à Eritreia mas, em Maio de 1998, entraram numa guerra fratricida por causa de um diferendo fronteiriço.

Um acordo de paz «não equivale necessariamente à normalização das relações» entre Asmara e Adis Abeba, advertiu Zénawi, continuando a deixar entender, tal como o fazia durante a guerra, que tal só será possível quando Afewerki for substituído no poder.

«Uma relação de boa-vizinhança é inimaginável e não é previsível com o actual Governo da Eritreia», acrescentou Zénawi, na assinatura do acordo, que conta com a presença do secretário-geral da ONU, Kofi Annan e da secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright.

«É uma história positiva para a África, que acaba o ano com uma história de paz», disse Annan dia seis deste mês.

O lento negociar do acordo, que necessitou de seis meses de intensas negociações diplomáticas da Organização da Unidade Africana (OUA), de países europeus e dos Estados Unidos, demonstra a dificuldade das duas partes chegarem a acordo.

O texto define os procedimentos a seguir para delimitar e demarcar a fronteira entre os dois países, estabelece as compensações pelos estragos provocados pela guerra e prevê a investigação das responsabilidades e da origem do conflito e ainda a averiguação da situação dos cidadãos etíopes e eritreus deslocados e dos prisioneiros de guerra.