Eleições

Abstenção «conquista» jovens

«A Abstenção em Portugal» está relacionada com a falta de interesse pelos partidos políticos e a fraca participação eleitoral dos mais jovens. É esta a principal conclusão de um estudo da Universidade de Lisboa que vai ser apresentado esta quarta-feira.

À beira de mais umas eleições autárquicas, vai ser apresentado esta quarta-feira, às três horas, um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sobre um dos mais preocupantes fenómenos políticos da actualidade «A Abstenção Eleitoral em Portugal».

Segundo esta pesquisa encomendada pelo Ministério da Administração Interna e o Ministério da Reforma do Estado as causas da abstenção em Portugal e União Europeia centram-se em dois factores principais: a falta de identificação com os partidos políticos e a idade.

Os abstencionistas concentram-se entre as camadas mais jovens da população. Esta tendência tende a desaparecer com o avanço da idade, quando os adultos adquirem uma maior consciência social, defendem os autores deste estudo, dirigido por António Barreto, com coordenação executiva de André Freire, Pedro Magalhães e Marina Costa Lobo.

«Assim, com o avanço no ciclo de vida os jovens abstencionistas de hoje tenderão em grande medida a ser cidadãos (eleitoralmente) participativos amanhã», de acordo com esta investigação que abrange 30 anos de eleições em Portugal.

Algumas investigações recentes indicam mesmo que a forte abstenção entre as gerações nascidas a partir dos anos 70/80 estaria relacionada com o facto destes jovens estarem mais centrados na esfera privada, do que na pública.

Para além disso, os mais novos parecem privilegiar «formas de participação política não institucionalizada (extra-eleitoral) e não mediada pelos partidos». Desta forma, o combate ao abstencionismo tem que passar em larga medida «por estratégias de atracção dos jovens», defende o estudo.

Por outro lado, a falta de motivação para ir às urnas manifesta-se porque os eleitores não se identificam (ou identificação muito pouco) com qualquer dos partidos políticos do sistema.

Deste modo, concluem os autores, grande parte do abstencionismo eleitoral deve-se a um desajustamento entre a oferta (político-partidária) e a procura (atitudes e expectativas dos eleitores)».

Para inverter esta tendência é, portanto, necessário que os partidos políticos se ajustem «mais e melhor às preferências dos eleitores».

Outra conclusão desta pesquisa é que o tipo de eleição é um factor decisivo para motivar os eleitores. As legislativas e presidenciais levam mais pessoas a votar, excluindo as eleições para o parlamento europeu, é nas autárquicas e nas regionais dos Açores e Madeira que se registam maiores níveis de abstenção.

O trabalho compara ainda Portugal aos outros países da União Europeia. Os dados mostram que os países com maior abstenção são pouco sindicalizados, pouco religiosos, mais pobres e com uma má política de integração social.

O estudo «A Abstenção Eleitoral em Portugal» integra-se num projecto intitulado «Comportamento eleitoral e atitudes políticas dos portugueses numa perspectiva comparada» , desenvolvido pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que visa analisar nos próximos três anos alguns dos principais vértices do sistema político nacional.