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Guterres não resiste a hecatombe e pede demissão

Seis anos depois de subir ao poder, o primeiro-ministro António Guterres pediu a demissão, este domingo, em virtude do hecatombe nas eleições autárquicas 2001. O PSD venceu a maioria das autarquias do país, Guterres quer clarificar as águas para que Portugal não caia num «pântano político».

Parlamentar brilhante, católico num partido maioritariamente laico, António Manuel de Oliveira Guterres, 52 anos, seis anos depois de chegar ao poder pede demissão do cargo de primeiro-ministro de Portugal, face aos resultados obtidos nas eleições autárquicas deste domingo que deram a vitória aos sociais democratas em quase todo o país.

Guterres ascendeu à liderança do PS em 1992, numa eleição em que venceu o actual Presidente da República, Jorge Sampaio. Assumiu a liderança cativando franja importante da sociedade civil naquilo que ficou conhecido como os Estados Gerais da Nova Maioria.

Em Outubro de 1995, António Guterres pôs fim a uma governação de dez anos liderada por Cavaco Silva, defrontando-se com Fernando Nogueira.

As expectativas eram muitas, mas o governo de Guterres só resistiu às polémicas nos dois primeiros anos de governação. A partir daí ambos os mandatos ficam marcados por polémicas internas e externas, confrontos entre ministros e ex-ministros, e por sucessivas remodelações.

Em 1999, Guterres ainda consegiu ser reeleito, mas recentemente com o agravamento da crise internacional, desde o 11 de Setembro, a sua popularidade baixou drasticamente. O secretário-Geral do Partido Socialista ainda tentou tudo durante a campanha para as autárquicas correndo todos os distritos do país.

No entanto, os portugueses escolheram, e o PSD venceu a maioria das Câmaras portuguesas, incluindo Lisboa e Porto. Para clarificar as águas e evitar que Portugal caia num «pântano político», o ainda primeiro-ministro pediu a demissão das suas funções.