Entre-os-Rios

Jorge Coelho demite-se, Guterres aceita

Jorge Coelho demitiu-se do cargo de ministro do Equipamento Social, na sequência do acidente em Entre-os-Rios. António Guterres, aceitou o «irrecusável» pedido de demissão, pela «dignidade de quem seguramente está isento de qualquer responsabilidade pessoal pelos trágicos acontecimentos».

Alegando que «assumo a responsabilidade política» pelo acidente, Jorge Coelho explicou que a sua decisão «é irreversível» e que «não ficaria bem com a minha consciência se não o fizesse».

O ministro afirmou que esteve, ele próprio, há cerca de um ano, a visitar a ponte, tendo constatado então que existia «alguma degradação a nível do tabuleiro», pelo que ficou então decidido que uma nova ponte seria construída.

Jorge Coelho explicou ainda que a sua demissão surgiu como inevitável tendo em conta a forma como entende «o conceito do exercício de poder» e considerando que «a culpa não pode morrer solteira».

«Não brinco com coisas sérias», afirmou Coelho, lembrando que que «ando na política há muitos anos».

Jorge Coelho apresentou ainda condolências em seu nome e do Governo aos familiares das vítimas.

O primeiro-ministro, António Guterres, aceitou hoje como «irrecusável» o seu pedido de demissão.

«É uma atitude de invulgar dignidade de quem seguramente está isento de qualquer responsabilidade pessoal pelos trágicos acontecimentos que enlutam o país», afirma um comunicado da Presidência do Conselho de Ministros.

António Guterres manifesta a Jorge Coelho «o mais sincero apreço e gratidão, pedindo-lhe que continue, neste momento, no exercício das suas funções para a condução das acções que imediatamente se justificam».

Com a saída de Coelho deixam também o Governo os seus quatro secretários de Estado, Luís Parreirão, das Obras Públicas, Leonor Coutinho, da Habitação, Guilhermino Rodrigues, dos Transportes e José Junqueiro, da Administração Portuária.

Jorge Coelho exercia também as funções de ministro de Estado e tinha como secretário de Estado Fausto Correia.

A demissão de Jorge Coelho surge no seguimento do acidente registado domingo à noite na ponte entre Entre-os-Rios e Castelo de Paiva, em que um autocarro com mais de 60 pessoas e duas viaturas ligeiras caíram ao rio Douro após ter ruído o tabuleiro da ponte.