José Sasportes

Não resistiu à crítica

Tem um longo currículo no campo das artes. Como ministro, começou com a polémica da suspensão da atribuição de subsídios ao teatro e com uma onda permanente de críticas ao seu trabalho, nomeadamente do antecessor, Manuel Maria Carrilho.

José Sasportes nasceu em Lisboa em 04.12.1937 e foi uma das figuras dos Estados Gerais promovidos pelo PS.

O seu currículo é enorme no campo das artes. Saliente-se apenas alguns dos marcos mais importantes, como foi o caso de director do Acarte da Fundação Calouste Gulbenkian, professor de História da Dança e do Teatro na Académie des Grands Ballets Canadiens em Montreal e fundador e director de «La Danza Italiana», revista de estudos sobre a história da dança italiana. Sasportes é autor de várias obras e foi ainda jornalista e co-fundador e chefe de redacção do «Jornal Novo» em 1975.

O seu percurso no domínio das artes já foi reconhecido em vários países. Em Portugal, recebeu duas condecorações ( Grande Oficial da Ordem de Mérito da República Portuguesa e Comendador da Ordem do Infante D. Henrique), em Itália foi nomeado Comendador da Ordem de Mérito, da Alemanha recebeu a Cruz de Mérito e foi ainda nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras de França.

Apesar deste currículo e de ter pacificado a liderança da «Porto Capital Europeia da Cultura», José Sasportes não conseguiu impor-se e recolher uma apoio manifesto como ministro da Cultura.

Ficaram até mais conhecidas as desavenças, por exemplo, com o mundo do teatro. Ao ponto de Luis Miguel Cintra ter afirmado «O ministro Sasportes parece que não tem suficiente conhecimento da realidade em vários campos. Cria umas medidas loucas sem contacto com a realidade e cuja coerência é difícil de perceber». Este caso, levou mesmo à demissão de Ana Marín, responsável pelo Instituto Português das Artes do Espectáculo

Um outro problema para Sasportes foi a demissão de Miguel Lobo Antunes como responsável pela programação cultural do Centro Cultural de Belém. A substituição por Motta Veiga também foi controversa, com Manuel Maria Carrilho a por em causa a nomeação do antigo assessor do primeiro-ministro para a cultura.