Farpas

A desertificação no interior

Quando estava na oposição António Guterres dizia que um milhão de contos investido no litoral se derretia, enquanto que o mesmo dinheiro investido no interior serviria para fazer obra e atrair outros investimentos.

Passados meia dúzia de anos, o Governo Guterres avança com tímidos incentivos fiscais a quem quiser deslocar-se para o interior do país.

Temos pouco território, mas, de facto, parece muito face à escassa disponibilidade de recursos.

O grande governo será no entanto aquele que conseguir inverter a tendência litoralizante e souber estimular as cidades médias no interior do país.

Parece-me por isso que é necessária um ideia forte, mobilizadora. Uma ideia radical.

Não bastam incentivos fiscais é preciso criar mesmo uma cidade nova de raiz.

Fazer nascer de novas centralidades que sirvam de âncora no combate à desertificação.

Precisa-se de um governo povoador como foram os nossos primeiros reis e para isso só há uma solução, apostar no interior como em 1998 se apostou na Expo.

Pode parecer uma ideia megalómana, mas sem a criação de uma idade nova perto da fronteira nenhum governo deixará de ser um simples executivo de Lisboa.

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